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Angola deverá começar a explorar ainda este ano o minério de nióbio, recurso cada vez mais necessário para construção de cidades inteligentes, produção de baterias de íons de lítio, equipamentos hospitalares, e para a indústria aeroespacial.
A exploração para breve, anunciada na última semana pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, terá lugar no município de Quilengues, província da Huíla, num projecto que poderá posicionar o país entre os dois grandes produtores mundiais deste mineral estratégico.
Por que razão o nióbio é tão importante?
O mineral é utilizado principalmente para melhorar o desempenho do aço e de outras ligas metálicas. Em pequenas quantidades, pode aumentar a resistência e permitir a produção de estruturas mais leves, tornando-o importante para sectores como a construção civil, indústria automóvel, produção de turbinas e indústria aeroespacial.
Também existem aplicações emergentes na área das baterias, com tecnologias que incorporam nióbio a serem desenvolvidas para permitir carregamentos mais rápidos e maior durabilidade, numa altura em que a electrificação dos transportes aumenta a procura por novas soluções de armazenamento de energia.
Um mercado concentrado
A importância estratégica do nióbio está também na concentração da sua produção, pois, actualmente, somente dois países controlam este mercado, nomeadamente Brasil e Canadá. De acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil lidera o mercado mundial com cerca de 93% da produção em 2025, enquanto o Canadá aparece como o segundo grande produtor com cerca de 5%.
É essa concentração que leva o nióbio a ser considerado um mineral crítico por algumas das principais economias mundiais. Para países que procuram reduzir a dependência de poucos fornecedores, a entrada de novos produtores pode ganhar importância estratégica.
“Depois de vários anos, este ano Angola passará a fazer parte do clube restrito dos países produtores de nióbio”, afirmou Diamantino Azevedo, sem avançar datas para o início da exploração. O ministro acredita que a partir de Quilengues “vai começar a fazer-se história para o desenvolvimento de Angola”.
O projecto de Quilengues
A exploração na Huíla não é uma iniciativa recente, a concessão foi atribuída à empresa chinesa Sociedade NIOBONGA, em 2020, envolvendo um investimento anunciado de 136,6 milhões de dólares. No local, a empresa trata das diferentes etapas da cadeia de valor do nióbio, desde a extracção e processamento do minério até à transformação do concentrado em produto final.
Segundo o Governo, a fase de prospecção permitiu já a extracção de cerca de 40 mil toneladas de nióbio. A concessão abrange aproximadamente 400 quilómetros quadrados nas serras da Bonga e Tchivira e foi atribuída por 22 anos, renováveis até 40 anos de exploração contínua.
O projecto, de acordo com o ministro Diamantino Azevedo, já criou cerca de mil empregos directos e 200 indirectos, além de infra-estruturas sociais, como uma escola, habitação para famílias realojadas e uma albufeira para abastecimento de água.
Quilengues coloca assim Angola diante de uma oportunidade pouco comum: entrar num mercado mundial dominado por poucos produtores e fornecer uma matéria-prima utilizada em algumas das indústrias mais avançadas do planeta.



