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Angola concentra maior volume de detecções de botnets na África Austral

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Em 2025, Angola registou o maior volume de detecções de botnets na África Austral, foi dos países mais visados por ataques DDoS e concentrou 4% das detecções de extorsão sexual online registadas no continente, segundo o African Cyberthreat Assessment Report 2026, da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).
 
De acordo com os dados da FortiGuard Labs, citados no relatório, Angola liderou os países da África Austral em volume de detecções de botnets com 37,95% do total regional apresentado no estudo, à frente dos Camarões que respondeu por 23,89%, da África do Sul (9,12%) e do Quénia com 7,78%.
 
Angola concentra maior volume de detecções de botnets na África Austral

Países com o maior volume de detecção de botnets – Créditos: Interpol/FortiGuard

 
Trata-se de um indicador que mede a identificação de dispositivos ou redes comprometidos que podem ser controlados remotamente por hackers e utilizados em diferentes actividades maliciosas.
 
A Interpol considera que o elevado nível de actividade de botnets em Angola sugere a existência de uma rede significativa de dispositivos comprometidos, que pode ser utilizada por grupos criminosos para lançar ataques coordenados, incluindo campanhas de ransomware, embora o relatório não apresente o número absoluto de dispositivos afectados no país.
 
Os dados da Interpol mostram que as detecções de botnets no continente estiveram maioritariamente concentradas em algumas famílias de malware, com a Sliver a representar 40,9% do total, seguida da Mozi, com 25,4%, da Phorpiex, com 9,5%, da Prometei, com 6,1%, e da Andromeda, com 5%, cinco famílias que concentraram, em conjunto, 86,9% das detecções registadas em África em 2025.
 
Angola concentra maior volume de detecções de botnets na África Austral

Principais famílias de botnets identificadas – Créditos: Interpol

 
DDoS e extorsão sexual online aumenta pressão sobre infra-estruturas digitais
 
O estudo assinala também um aumento dos ataques de negação de serviço distribuído (DDoS, na sigla inglesa) em Angola e nas Ilhas Maurícias, tendência associada pela Interpol à concentração de infra-estruturas digitais de elevado valor na África Austral, sem, contudo, divulgar o número de ataques registados especificamente em Angola.
 
A pressão sobre o país também aparece nos dados sobre extorsão sexual online, uma modalidade de abuso baseada na ameaça de divulgação de conteúdos íntimos, que registou 600 mil detecções em todo o continente em 2025, com Angola a representar 4% do total, atrás da África do Sul, com 30%, do Quénia, com 13%, da Costa do Marfim, com 11%, e da Etiópia, com 8%.
 
O relatório indica que estas campanhas foram predominantemente distribuídas através da já mencionada botnet Phorpiex, com mensagens que exigiam pagamentos em criptomoedas sob ameaça de divulgação de supostos conteúdos íntimos.
 
Neste domínio, o relatório alerta para o papel da inteligência artificial, que está a permitir a produção de conteúdos sintéticos cada vez mais realistas para reforçar este tipo de extorsão, bastando, às vezes, um único registo fotográfico para o atacante conseguir gerar uma imagem indecente com a tez e demais traços da vítima.
 
Vulnerabilidades conhecidas facilitam entrada em redes
 
O estudo aborda também as violações de dados registadas em 2025, que, segundo a Interpol, estiveram associadas a diferentes formas de cibercrime, com informações comprometidas a serem aproveitadas em ataques de ransomware, fraude por comprometimento de correio electrónico empresarial, roubo de identidade e fraude através de dispositivos móveis.
 
De acordo com o relatório, a Shadowserver Foundation identificou mais de 6 mil vulnerabilidades exploráveis em África em 2025, com as maiores concentrações na África do Sul, com 43,6% dos casos, Quénia (11,9%), Nigéria (9,1%), Senegal (4,6%), Etiopia (3,3%) e Angola com 3,3%.  Entre os sistemas mais visados estavam routers sem actualizações de segurança, redes privadas virtuais vulneráveis e plataformas de gestão de documentos na Internet com configurações incorrectas.
 

Detecção de vulnerabilidade por país – Créditos: Interpol/Shadowserver

 
Ameaças digitais desafiam resposta nacional
 
Os dados da Interpol surgem num contexto regional de forte exposição digital, com a África Austral sendo descrita pela organização como a região mais avançada digitalmente e também como a mais visada por ataques, com a África do Sul a concentrar 92% das detecções de ransomware registadas no continente em 2025.
 
Apesar do nível de exposição, o relatório reconhece as medidas adoptadas por Angola para reforçar a resposta nacional em material de cibersegurança, nomeadamente a aprovação de uma Estratégia Nacional de Cibersegurança e a criação de um Centro Nacional de Cibersegurança com autoridade reguladora.
 
A Interpol observa, contudo, que a existência de legislação e estruturas institucionais não elimina os riscos, uma vez que a eficácia da resposta depende da capacidade de implementação, da cooperação entre entidades e da partilha de informação sobre ameaças em tempo real entre equipas nacionais de resposta a incidentes e o sector privado.
 
O relatório alerta ainda para um problema mais amplo de subnotificação: 89% dos países que responderam ao inquérito da organização apontaram dificuldades no reporte de incidentes, associadas à inexistência de mecanismos formais, receio de danos reputacionais, limitações de capacidade forense e incerteza sobre as obrigações legais.
 
A avaliação da Interpol resulta de dados recolhidos em 36 países africanos ao longo do ano 2025, complementados por informação de empresas de cibersegurança e unidades operacionais da própria organização, e procura identificar tendências observadas entre Janeiro e Dezembro daquele ano, sem fazer projecções para além dos dados disponíveis.

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