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ANGOTIC: especialistas defendem maior interoperabilidade para reforçar sistema de pagamentos

ANGOTIC: especialistas defendem maior interoperabilidade para reforçar sistema de pagamentos
O painel dedicado ao ecossistema digital em Angola, debatido durante o ANGOTIC, reuniu especialistas do sector financeiro e tecnológico para discutir os desafios e avanços na inclusão financeira, interoperabilidade e infra-estruturas digitais no país.
 
O director-geral do INFOSI, André Pedro, destacou que o governo angolano tem investido significativamente na digitalização, considerando os datacenters como infra-estruturas críticas para a soberania nacional. 
 
Segundo o responsável, o governo decidiu que todos os entes públicos deverão, de forma obrigatória, manter a sua infra-estrutura primária ou, pelo menos, o seu backup no datacenter do Estado, garantindo assim a protecção dos dados e a resiliência dos serviços públicos.
 
Por sua vez, o presidente da Comissão Executiva da EMIS, Duano Silva, explicou o conceito de interoperabilidade no contexto das infra-estruturas do mercado financeiro. 
 
Recordou que há 25 anos, a criação da EMIS surgiu da necessidade de resolver o problema da informalidade da economia e da circulação excessiva de dinheiro físico, tendo-se desenvolvido sistemas como o Multicaixa, as transferências de crédito e, mais recentemente, o sistema de transferências instantâneas KWIK, que permite que o dinheiro saia da conta do ordenante e chegue ao destinatário em tempo real.
 
O CEO do M-PESA Moçambique, Sérgio Gomes, partilhou a sua experiência na criação de sistemas inovadores em ambientes de caos, referindo o exemplo do Quénia, onde o banco central decidiu não regular o serviço durante dois anos para permitir que a solução amadurecesse antes de ser enquadrada legalmente. 
 
Sublinhou ainda a importância de os líderes do sector “tirarem o fato e a gravata” e se envolverem directamente no terreno para compreenderem as reais necessidades das populações.
 
O responsável pela Unitel Money, Gulamo Nabi, respondeu a uma questão colocada pelo moderador Morato Custódio, que o desafiou a imaginar onde estaria o nível de inclusão financeira em Angola se, desde o início, o quadro legal tivesse permitido que o saldo de comunicações funcionasse como uma verdadeira moeda electrónica, transferível entre pares e convertível em dinheiro. 
 
O responsável defendeu que a verdadeira moeda electrónica nada tem a ver com o saldo de comunicações, mas sim com a capacidade de transformar unidade de conta digital em valor económico real, algo que só um ambiente regulatório claro e antecipado pode viabilizar. 
 
Ao contrastar o potencial não aproveitado com o que poderia ter sido, Gulamo Nabi deixou no ar uma crítica construtiva dirigida ao moderador e ao auditório: a diferença entre o “nível mágico” que se poderia ter alcançado e a realidade actual é o preço pago pela falta de visão regulatória integrada no passado.
 
O painel deixou claro que Angola caminha para a consolidação de um ecossistema digital baseado em interoperabilidade, soberania de dados e inclusão financeira, mas que ainda há desafios regulatórios e culturais a superar para que as soluções tecnológicas cheguem de forma efectiva a todos os cidadãos.

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