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Por: José Barata - Presidente da Deloitte Angola
A modernização tecnológica do Estado angolano é hoje uma das mais relevantes prioridades estratégicas do país. Mais do que um exercício de eficiência administrativa, trata-se de uma verdadeira agenda de soberania, de confiança institucional e de transformação estrutural da economia.
Sob a liderança de Sua Excelência Presidente da República, Dr. João Lourenço, Angola tem vindo a afirmar uma visão clara de reforma do Estado, assente na transparência, na melhoria da prestação de serviços públicos e na criação de um ambiente mais favorável ao investimento. A transformação digital surge, neste contexto, como um dos instrumentos mais poderosos para concretizar essa visão.
O compromisso político com a modernização do Estado está consagrado no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027, que coloca a digitalização como um eixo estruturante para a diversificação económica e para o reforço da eficiência governativa.
Importa igualmente reconhecer o papel determinante do Instituto de Modernização Administrativa (IMA), que tem conduzido um trabalho estruturado e rigoroso de diagnóstico da Administração Pública. Este esforço permitiu mapear processos, identificar constrangimentos e, sobretudo, criar uma base técnica sólida para uma transformação digital mais coerente, integrada e orientada para os resultados.
Contudo, a ambição política deve ser ainda maior. Não basta modernizar, é necessário transformar. A interoperabilidade representa, hoje, a mais profunda reforma em curso na Administração Pública angolana. Hoje, uma parte significativa da Administração Pública ainda funciona em silos. O cidadão continua, muitas vezes, a ser o “transportador de dados” entre instituições. Este modelo não é sustentável nem compatível com as exigências de uma economia moderna.
O trabalho de diagnóstico, desenvolvido pelo Instituto de Modernização Administrativa (IMA), constitui, neste contexto, um activo estratégico. Ao identificar redundâncias, lacunas de integração e oportunidades de simplificação, o IMA está a contribuir directamente para uma transformação mais eficiente, mais realista e mais sustentável.
Esta transformação exige uma decisão política clara e inequívoca. Os dados do Estado devem circular dentro do Estado para servir melhor o cidadão. A liderança política tem sublinhado a importância de melhorar o ambiente de negócios, atrair investimento estrangeiro e promover a formalização da economia.
A digitalização do Estado é um instrumento central para atingir esses objectivos. Um Estado interoperável e digital permite reduzir custos de contexto para as empresas, acelerar rocessos administrativos e licenciamentos, aumentar a previsibilidade regulatória e reforçar a eficiência da administração fiscal.
Num contexto de forte competição internacional, a eficiência do Estado torna-se um factor crítico de competitividade. E essa eficiência vai ser, inevitavelmente, digital. A próxima fase da transformação passa pela valorização estratégica dos dados públicos.
A visão política em curso, que inclui já as apostas emergentes na Inteligência Artificial e na analítica de dados, aponta para um Estado mais inteligente, capaz de decidir com base em evidência e de antecipar desafios sociais e económicos.
A utilização eficaz dos dados permitirá melhorar a qualidade das Políticas Públicas, optimizar a alocação de recursos, antecipar riscos e necessidades e reforçar a transparência e o escrutínio. Um Estado orientado por dados é, inevitavelmente, um Estado mais forte e mais credível. A transformação digital do Estado não é apenas um desafio tecnológico é um desafio de liderança.
Sob a orientação de Sua Excelência Presidente da República, Dr. João Lourenço, Angola tem vindo a consolidar uma agenda reformista exigente, que requer coordenação interministerial e sectorial, disciplina na execução e uma visão a longo prazo. Mas, esta transformação exige também normas e standards tecnológicos comuns, governação clara dos dados públicos, reforço da cibersegurança, capacitação massiva da Administração Pública e uma cultura de responsabilização e resultados.
A confiança dos cidadãos vai ser o verdadeiro indicador de sucesso desta agenda. Num mundo em que a tecnologia redefine o equilíbrio entre Estados, a digitalização tornou-se um instrumento de soberania. Angola tem hoje uma oportunidade histórica de afirmar essa soberania, construindo um Estado mais integrado, mais eficiente e mais próximo dos cidadãos.
A história dos países constrói-se através de escolhas estruturais. A liderança política de Angola assumiu claramente o caminho da reforma, da modernização e da abertura ao mundo. A digitalização do Estado é uma das expressões mais concretas dessa visão. Mas o verdadeiro teste está na execução. A interoperabilidade vai ser o alicerce invisível desta transformação.
O diagnóstico já foi feito, com mérito, pelo Instituto de Modernização Administrativa (IMA). A liderança política está alinhada e os instrumentos começam a estar disponíveis. O momento agora é de acelerar com ambição, coordenação e foco em resultados. O Estado digital não é um destino, é um instrumento. Um instrumento para construir uma Angola mais eficiente, mais transparente e mais competitiva.




