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A China está a limitar as viagens internacionais para especialistas de ponta em inteligência artificial (IA) de empresas como Alibaba e DeepSeek, numa altura em que Pequim busca por maior auto-suficiência em áreas como IA, robótica e semicondutores.
De acordo com a Bloomberg, que cita fontes anónimas, as autoridades chinesas começaram a exigir que pesquisadores, executivos, fundadores de startups e engenheiros de IA avançada obtenham aprovação antes de viajar para qualquer destino no exterior.
Para já, Pequim não nega nem confirma a abordagem, mas segundo a Bloomberg ela está alinhada às crescentes preocupações com a protecção de tecnologias estrategicamente importantes.
Conforme a publicação, a China agora considera os melhores talentos em IA como um activo de segurança nacional, submetendo-os a restrições anteriormente reservadas a cientistas nucleares e altos executivos de empresas estatais.
Em Abril último, por exemplo, os reguladores chineses bloquearam a compra da startup chinesa de inteligência artificial Manus pela Meta, liderada por Marck Zuckerberg, numa rodada avaliada em 2 mil milhões de dólares.
Neste processo, dois executivos da Manus teriam sido impedidos de deixar o país durante uma investigação sobre o negócio, enquanto Pequim apertava simultaneamente as restrições ao investimento americano no sector de tecnologia do país.
Todavia, fontes da Bloomberg afirmam que as restrições de viagem mais recentes não estão relacionadas ao caso da Manus, elas inserem-se numa política mais ampla para controlar a saída de tecnologias críticas da China para o Ocidente.
Vale lembrar que o 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030) tem como mote “modernização industrial e auto-suficiência tecnológica” e prevê a adopção de “medidas extraordinárias” para desenvolver capacidades suficientes em semicondutores, IA e manufactura avançada.
Para os semicondutores, por exemplo, a prioridade total é atribuída ao desenvolvimento de equipamentos avançados de litografia e ao domínio de semicondutores de 3ª geração (nitreto de gálio e carbeto de silício), dadas as restrições impostas pelos Estados Unidos e pela Holanda ao acesso a equipamentos de Litografia por Ultravioleta Extremo.
Então, para a China, controlar a exportação sobre talentos é um próximo passo lógico após já ter desacelerado a exportação de elementos na cadeia de suprimentos de IA em 2025, que resultou no bloqueio da exportação de 14 minerais de terras raras essenciais para a fabricação de equipamentos tecnológicos e militares de alta tecnologia.




