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Governação Electrónica: Angola e a transformação digital da Administração Pública

Falta de evidências coloca em causa suposto ataque ao SEPE

Há já algum tempo ouvi uma definição que se tornou uma das minhas favoritas sobre transformação digital. Diz o seguinte: é uma melhoria radical das capacidades das sociedades para fazer as coisas, moldar seus ambientes físicos, económico, social e intelectual para seus próprios fins. Na visão mais abrangente, esse conceito sempre vem associado à tecnologia para que ela se torne viável.

Desta forma, a transformação digital, que é parte do processo de implementação do governo electrónico, abrange todas as iniciativas em que o uso da tecnologia digital melhora a prestação de serviços públicos e a gestão administrativa. Seu objectivo principal é modernizar as relacções entre o Estado e os cidadãos, empresas, organizações não governamentais e outras entidades.

Com isso, a integração progressiva das tecnologias digitais como Infra-estruturas de Conectividade, Computação em Nuvem, Tecnologias Móveis, Blockchain na vida diária dos cidadãos, das empresas e do sector público está a mudar as capacidades administrativas dos governos e a aumentar a sua capacidade para criar valor e disponibilizar bens de utilidade pública, proporcionando a efectivação e operacionalização do governo electrónico.

Governo electrónico angolano

Há mais de 10 anos, o Governo angolano tomou a ousada iniciativa de implementar o governo electrónico para promover a transparência e facilitar a interação com os cidadãos. Essa iniciativa governamental mais a criação do Instituto de Modernização Administrativa (IMA) e a recente aprovação do Decreto Presidencial n.º 178/24 sobre a agenda de Transição Digital da Administração Pública 2027 reflectem a visão estratégica do Governo de Angola para a transformação digital da Administração Pública.

O IMA, na qualidade de órgão promotor da transição digital da Administração Pública e o garante do Governo electrónico, tem como prioridade estratégica a promoção dos serviços públicos mais simples, integrados, com simultânea interoperabilidade e reutilização dos dados, facilitando a prestação automática de serviços, bem como eliminação dos processos e procedimentos descontextualizados, burocráticos e sem valor agregado.

Sendo a interoperabilidade e a reutilização de dados os principais eixos do Governo electrónico, o IMA, desenvolveu o portal SEPE, que é um canal digital onde o cidadão através dele pode realizar várias actividades e resolver várias situações, como consulta de Número de Identificação Fiscal (NIF), cartão do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), baixar manuais escolares, agendar serviços médicos, fazer a homologação de reconhecimento de estudos, entre outras opções.

O SEPE e várias outras plataformas ministeriais que operam sobre a mesma base, mostram que por meio do governo electrónico, os serviços antes acessíveis apenas fisicamente podem ser realizados online, como o pagamento de impostos, obtenção de documentos, consultas médicas ou solicitação de benefícios.

Portanto, quando bem implementado, o Governo electrónico, por meio de plataformas digitais tornam os serviços disponíveis 24/7, eliminando barreiras de horário ou localização, aproximam as populações, especialmente as das zonas remotas, reduz o tempo necessário para atender demandas e diminui os custos administrativos.

 

Referência: Documento Regulador do IMA

 

 

 

 

 

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