O Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED-Huíla) passou a contar, desde a semana passada, com um sismómetro didáctico que permitirá aos estudantes acompanhar, em tempo real, os movimentos do solo e reforçar a componente prática do ensino da Física e das Ciências da Terra.
Denominado Raspberry Shake, o equipamento foi instalado no âmbito da VI Conferência de Física dos Países de Língua Portuguesa e passa a constituir um novo recurso para actividades académicas e de investigação na instituição.
Em declarações à ANGOP, o doutorando em Geofísica e Sismologia da Universidade de Lisboa, Osório de Cavacundo, explicou que o aparelho tem fins essencialmente pedagógicos e permitirá aos estudantes observar e analisar sinais gerados por eventos sísmicos através de dados reais.
Segundo o académico, o sensor regista continuamente os movimentos verticais do solo e disponibiliza os dados numa plataforma online, acessível a estudantes e investigadores em tempo real através da Internet.
Osório de Cavacundo referiu que a interpretação desses registos permitirá aos estudantes analisar formas de onda sísmica e desenvolver trabalhos práticos ligados à geofísica sem necessidade de contacto directo com o equipamento.
De acordo com o responsável, embora não tenha a mesma capacidade dos sismómetros utilizados em redes nacionais de investigação, o Raspberry Shake consegue registar vibrações provocadas por sismos e outras fontes de movimento, fornecendo dados úteis para actividades de ensino.
O investigador esclareceu que a capacidade de detecção do sensor depende da magnitude do fenómeno e da distância em relação ao equipamento, podendo registar desde eventos locais até sismos de grande intensidade ocorridos a centenas ou milhares de quilómetros.
O equipamento resultou de uma oferta da empresa fabricante “Raspberry Shake”, através da União dos Físicos dos Países de Língua Portuguesa e do Instituto Dom Luiz, um centro de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.



