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A indústria global de dinheiro móvel atingiu, em 2025, um novo patamar de escala e maturidade ao consolidar-se como uma infra-estrutura financeira central em vários mercados emergentes. O valor total das transacções chegou a 2,1 triliões de dólares, confirmando uma mudança estrutural no modo como milhões de pessoas utilizam serviços financeiros.
Os dados constam do Mobile Money Prevalence Index (MMPI), relactivo a 2025, eleborado pela Associação do Sistema Global para Comunicações Móveis (GSMA) e divulgado esta terça-feira, 24 de Março.
Trata-se de um marco importante que, segundo a GSMA, exemplifica o crescimento exponencial no valor das transacções que o sector tem experimentado nos últimos anos. Ao todo, foram necessários 20 anos para ultrapassar a 1 trilhão de dolares em valor de transacções anuais, mas apenas quatro anos para que esse valor dobrasse.
Segundo o documento, o crescimento deixou de assentar apenas no número de utilizadores e passou a reflectir maior intensidade de uso, com o valor das transacções a aumentar mais depressa do que o volume. Em 2025, a indústria do dinheiro móvel registou 2,3 mil milhões de contas, 593 milhões de utilizadores activos mensais, 30 milhões de agentes registados, 11 milhões de serviços activos e 125 mil milhões de operações.
A regulamentação desempenha um papel fundamental na expansão do alcance do dinheiro móvel, segundo relatório da GSMA. Mais de 60% dos provedores de dinheiro móvel acreditam que as regulamentações de interoperabilidade, KYC (Conheça Seu Cliente) e protecção ao consumidor têm apoiado as suas operações.

Números alcançados pela indústria do mobile money em 2025 – Créditos: GSMA
África Subsaariana mantém liderança mundial
A África Subsaariana mantém-se como o eixo central deste desenvolvimento, concentrando mais de metade das contas e uma larga maioria das transacções globais. Em 2025, a região somou 1,2 mil milhões de contas registadas e 341 milhões activas, gerando 92 mil milhões de transacções no valor de 1,4 triliões de dólares.
O peso africano é ainda mais evidente quando se observam as quotas globais, em 2025 África deteve 74% do volume e 66% de todo o valor transaccionado, o que confirma o continente como o principal motor da expansão do dinheiro móvel. Este crescimento mantém-se sustentado, com aumentos expressivos tanto no número de utilizadores como no valor das operações.

África Subsaariana – números alcançados pela indústria do mobile money em 2025 – Créditos: GSMA
África vista por regiões
No continente berço, a África Oriental lidera em escala e dinamismo, com 537 milhões de contas registadas (+19%) e 193 milhões activas (+22%), além de 61 mil milhões de transacções no valor de 806 mil milhões de dólares (+23%) em 2025. Esta região é descrita como o principal motor do crescimento do mobile money no continente.
No mesmo sentido, a África Ocidental apresentou também forte expansão no período em análise, com 517 milhões de contas (+15%) e 104 milhões activas (+14%), tendo movimentado 22 mil milhões de transacções no valor de 498 mil milhões de dólares, com destaque para o crescimento de 34% no valor.
Já a África Central, registou crescimento sólido e consistente, com 128 milhões de contas (+20%) e 39 milhões activas (+19%), somando 7 mil milhões de transacções e 105 mil milhões de dólares em valor.
Na África Austral, apesar da menor escala, observou-se um dos crescimentos mais rápidos nas contas activas, que subiram 29%, atingindo 5 milhões, num total de 33 milhões de contas e 8 mil milhões de dólares transaccionados no período em análise.
Por seu turno, o Norte de África destacou-se pela aceleração mais intensa em termos relativos, com crescimento de 60% no volume de transacções e 41% no valor transaccionado, embora parta de uma base reduzida, com 30 milhões de contas e 15 mil milhões de dólares.
É neste contexto que Angola surge como um mercado em evolução, tendo passado de um nível baixo para médio no índice de prevalência de dinheiro móvel, o que indica uma expansão progressiva do acesso e do uso destes serviços.
Sem ainda atingir a escala dos mercados mais avançados do continente, o país acompanha a trajectória das regiões em que se insere, beneficiando de uma tendência mais ampla de crescimento que continua a ter na África Subsaariana o seu principal centro de gravidade.
Mobile money pelo mundo
Fora de África, o Sul da Ásia e a Ásia Oriental e Pacífico destacam-se como os mercados mais relevantes, embora com menor profundidade. O Sul da Ásia atingiu 304 mil milhões de dólares em transacções, enquanto a Ásia Oriental e Pacífico registou 277 mil milhões, ambos com trajectórias de crescimento estável e consistente.

Sul da Ásia, Ásia Oriental e Pacífico – números alcançados pela indústria do mobile money em 2025 – Créditos: GSMA
Médio Oriente e Norte de África
O Médio Oriente e Norte de África evidencia um ritmo de expansão mais acelerado, sobretudo no número de transacções, ainda que parta de níveis mais baixos.
A região conta com 33 serviços activos, 86 milhões de contas registadas e 17 milhões de utilizadores activos mensais, tendo processado 1,5 mil milhões de transacções no valor de 62 mil milhões de dólares, com crescimentos de 35% no volume e 25% no valor.
Europa e Ásia Central, América Latina e Caraíbas

Europa, Ásia Central, América Latina e Caraíbas – números alcançados pela indústria do mobile money em 2025 – Créditos: GSMA
A Europa e Ásia Central permanece residual no panorama global, com fraca expressão em contas e transacções e uma ligeira contracção no número de utilizadores activos.
A região conta com apenas 8 serviços, 21 milhões de contas registadas e 6 milhões activas, tendo processado 450 milhões de transacções no valor de 9 mil milhões de dólares, sendo a única a registar queda nas contas activas em 2025.
Já a América Latina e Caraíbas apresenta um crescimento moderado, mantendo-se distante dos principais centros de actividade global.
Em 2025, registou 32 serviços, 58 milhões de contas e 18 milhões activas, com 1,1 mil milhões de transacções no valor de 39 mil milhões de dólares, o que confirma o seu peso ainda reduzido no total mundial.
Desde a sua criação, há apenas 25 anos, o dinheiro móvel tornou-se um serviço financeiro essencial para populações carentes em todo o mundo, dando poder àqueles sem acesso a serviços bancários tradicionais e contribuindo para o crescimento económico nos países onde o dinheiro móvel está presente.
Os novos dados mostram agora que o dinheiro móvel deixou de ser apenas uma ferramenta de inclusão financeira e passou a funcionar como infra-estrutura central de pagamentos e serviços financeiros em vários mercados, com sinais claros de maturidade, diversificação e crescente relevância económica.




