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Após a DeepSeek abalroar, em Janeiro último, as gigantes tecnológicas destacadas no segmento da inteligência artificial (IA) com o lançamento do DeepSeek-R1, outra startup chinesa volta a “chocar” o mercado ao lançar um agente autónomo de IA capaz de “pensar”, planear e executar tarefas de forma totalmente independente.
O agente autónomo chama-se Manus e foi criado pela startup chinesa Monica, fundada em Julho de 2023 com um capital registado de 10 milhões de dólares. A pequena empresa está sediada no distrito de Haidian, em Pequim.
Manus, entretanto, não é apenas mais um chatbot nem somente mais um mecanismo de busca aprimorado. “É o primeiro agente de IA totalmente autónomo do mundo, um sistema que não apenas auxilia os humanos – ele os substitui”, sublinha a Forbes.
Caracterísitcas
“Manus usa uma arquitectura multi-agente onde um agente executor central coordena com sub-agentes especializados — como planeadores e agentes de conhecimento – para dividir e concluir tarefas complexas. Não é um modelo, mas uma montagem de modelos actualmente construídos sobre o modelo Claude 3.5 Sonnet da Anthropic e versões refinadas dos modelos Qwen da Alibaba“, explica a revista.
Ele liga-se a 29 ferramentas e software de código aberto, o que lhe permite navegar na web, interagir com APIs, executar scripts e desenvolver software de forma independente. Pelas suas características, os especialistas descrevem-no como um sistema único representando um passo importante para a criação de sistemas de IA totalmente autónomos, capazes de trabalhar sem apoio humano.
Embora sistemas como o Operator da OpenAI sejam capazes de realizar acções, eles actuam através do navegador do utilizador. Manus, entretanto, trabalha num ambiente de computação virtual na nuvem e de forma assíncrona, o seja: após definir uma meta de trabalho, o utilizador pode fechar o seu computador enquanto o Manus continua a trabalhar em segundo plano. Após concluir a tarefa, o sistema notifica o utilizador.
E este é um dos pontos que o diferencia dos seus concorrentes Ocidentais, pois enquanto o ChatGPT-4, da OpenAI, e o Gemini, da Google, dependem de pedidos humanos para direccioná-los, o Manus não espera por instruções, podendo iniciar tarefas por conta própria, avaliar novas informações e ajustar de forma dinâmica a sua abordagem. O Manus é considerado, por isso, o primeiro verdadeiro agente geral de IA em muitos aspectos.
“Da análise de transacções financeiras à triagem de candidatos a empregos, Manus navega pelo mundo digital sem supervisão, tomando decisões com uma velocidade e precisão que até mesmo os profissionais mais experientes lutam para igualar. Em essência, é um polímata digital treinado para gerir tarefas em todos os sectores sem as ineficiências da hesitação humana”, destaca a revista.
Uma nova categoria de inteligência
Mas, se por um lado o potencial do Manus impressiona, por outro lado também assusta. Alguns meios de comunicações, por exemplo, enfatizam a ameaça que este sistema apresenta aos empregos.
E não é para menos. Por exemplo, diante de um arquivo de currículos, o Manus não apenas classifica os candidatos, ele lê os dados de cada um, extrai habilidades relevantes, faz referências cruzadas com as tendências do mercado de trabalho e apresenta uma decisão de contratação totalmente optimizada e acompanhada de uma planilha Excel que ele mesmo gerou.
Manus também pode criar um site a partir do zero e resolver todas as tarefas relacionadas ao assunto, incluindo a concepção de designs, resolução de problemas técnicos de hospedagem até disponibilizar o site na Internet. O agente autónomo pode ainda, entre outras actividades, gerar artigos de pesquisa sem esforço e projectar campanhas de marketing do zero.
“Não é apenas uma melhoria na IA existente — é uma nova categoria de inteligência, mudando o foco de assistência passiva para ação auto-dirigida. E é inteiramente construída pelos chineses”, realça a revista.
Temores no Ocidente
O lançamento do Manus, no dia 6 de Março, gerou desconforto no Vale do Silício, “onde os líderes de IA reconheceram discretamente que o avanço agressivo da China em sistemas autónomos poderia dar a ela uma vantagem de pioneirismo em sectores críticos”, refere a Forbes.
No Ocidente, de acordo com a revista, teme-se que Manus represente a industrialização da inteligência. Segundo a Forbes, ele é tão eficiente que as empresas em breve se verão forçadas a substituir o trabalho humano por IA, “não por preferência, mas por necessidade”.
“Para os desenvolvedores de IA, este é o Santo Graal — um sistema que não apenas gera informações, mas as aplica, corrige os seus erros e refina a sua saída. Para profissionais que dependem de tarefas que Manus pode executar, é uma ameaça existencial”, escreve a revista.
A Forbes enfatiza que a era dos agentes autónomos de IA começou e a China está a liderar a corrida. Nessa nova realidade, alerta a revista, todos poderão ter de repensar o que significa trabalhar, criar e competir “num mundo onde a inteligência não é mais um activo exclusivamente humano”.
O agente autónomo lançado pela startup Monica está actualmente disponível para testadores somente por convite. De acordo com um funcionário da empresa ouvido pelo Global Times, o Manus encontra-se em fase de testes internos e ainda não há data para o seu lançamento ao público. Enquanto isso, disse ao diário chinês, a startup continua a trabalhar na sua optimização.
Segundo o Global Times, várias pessoas estão a recorrer a terceiros para obter os códigos de convite, mas como a oferta é limitada algumas pessoas com acesso à plataforma estão a vender os códigos já adquiridos por si a preços que chegam aos 137 dólares.


