A decisão do governo dos Estados Unidos de suspender o acesso estrangeiro aos modelos de Inteligência Artificial (IA) Fable 5 e Mythos 5, da Anthropic, desencadeou uma onda de reacções no sector da cibersegurança.
Na prática, a ordem governamental, emitida na passada sexta-feira(12), apagou o acesso aos modelos para o mundo inteiro, incluindo para os próprios investigadores da empresa.
A ordem, que mirava inicialmente utilizadores estrangeiros, acabou por afectar todos os acessos, gerando críticas de empresas tecnológicas e especialistas em segurança.
Líderes e executivos de cibersegurança da Adobe, NVIDIA, Sophos, Zoom e Veracode assinaram uma carta aberta ao governo norte-americano, pedindo a suspensão das directivas de controlo de exportação sobre os modelos da Anthropic.
No documento, os signatários alertam que “retirar as melhores capacidades dos defensores sem uma boa razão, enquanto nossos adversários avançam rapidamente, é perigoso”.
A carta exige um processo “transparente, justo, claro e fundamentado em factos técnicos” para a avaliação de riscos de IA, criticando a forma como a decisão foi tomada.
A decisão tem consequências práticas imediatas. A Anthropic já afirmou que a medida prejudica os esforços globais de identificação de vulnerabilidades, uma vez que muitos dos seus investigadores trabalham no exterior, o que significa que a regra os impediria de auxiliar nos modelos mais recentes.
Especialistas temem que a suspensão possa criar um fosso tecnológico entre os EUA e o resto do mundo, dificultando a cooperação internacional em cibersegurança.
No centro do debate está o dilema entre segurança nacional e colaboração global. Enquanto o governo Trump justifica a decisão com receios de que a IA possa ser usada para ciberataques, o sector da tecnologia alerta que isolar os modelos mais avançados dos investigadores estrangeiros pode tornar o mundo mais vulnerável a ameaças cibernéticas.



