A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) está a recorrer a imagens de satélite e tecnologias de sensoriamento remoto, para acelerar o estudo das bacias interiores de Kassanje e Etosha-Okavango, uma área com mais de 540 mil quilómetros quadrados apontada como uma das principais fronteiras para a expansão da exploração petrolífera no país.
A iniciativa foi apresentada durante o ANGOTIC 2026 e é desenvolvida em colaboração com o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional, entidade com a qual mantém parceria para o uso de soluções tecnológicas baseadas no satélite Angosat-2 desde 2022.
De acordo com a ANPG, recorrer exclusivamente aos métodos tradicionais para cobrir toda a extensão das bacias exigiria anos de trabalho contínuo, enquanto o recurso à tecnologia espacial permite identificar previamente as zonas com maior potencial geológico, facilita o planeamento das campanhas de campo, reduz o tempo, os custos logísticos e os riscos associados às operações em regiões de difícil acesso.
A concentração das equipas nas áreas prioritárias e a eficiência na recolha de informação geológica necessária à avaliação do potencial de ocorrência de hidrocarbonetos, são outros ganhos resultantes da aplicação da tecnologia espacial no sector, segundo o regulador.
Além do apoio ao planeamento das missões, a tecnologia espacial também orienta a recolha de amostras geológicas e geoquímicas destinadas à caracterização das bacias, contribuindo para aprofundar o conhecimento geológico nacional, identificar novas reservas e apoiar o desenvolvimento de regiões do interior ainda pouco estudadas, refere a agência.
Durante a apresentação técnica no ANGOTIC, o presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, afirmou que a observação da Terra a partir do espaço representa uma mudança na forma de conduzir a pesquisa petrolífera, reconhecendo que as ferramentas geoespaciais permitem detectar anomalias e derrames com maior rapidez e rigor.
“O futuro da pesquisa onshore e offshore passa por observar a Terra a partir do espaço. As ferramentas geoespaciais permitem detectar anomalias e derrames com maior rapidez e rigor, e desafiam-nos a olhar para as bacias interiores de Angola com uma nova ambição: transformar áreas remotas e pouco conhecidas em oportunidades reais de conhecimento, segurança operacional e potencial exploratório”, afirmou.
Os estudos em curso nas bacias de Kassanje e Etosha-Okavango deverão fornecer novos dados para apoiar futuras decisões sobre a prospecção de hidrocarbonetos, numa altura em que Angola procura reforçar o conhecimento do potencial das bacias sedimentares do interior e diversificar as áreas de exploração petrolífera.



