Um novo relatório da Africa Data Centres Association (ADCA) revela que a infra-estrutura de fibra óptica terrestre instalada no continente atingiu a marca histórica de 1,3 milhões de quilómetros em 2025.
De acordo com o documento, que compara os dados com os 1 milhão de quilómetros registados em 2019, este crescimento tem permitido que os data centers expandam o seu alcance, passando a servir mercados interiores que antes dependiam exclusivamente das zonas costeiras.
Segundo a ADCA, os cabos submarinos continuam a desempenhar um papel central nesta arquitectura de conectividade, mantendo-se como a espinha dorsal das comunicações internacionais do continente.
O relatório destaca a posição geoestratégica de alguns países, com o Egipto a liderar a tabela ao albergar 19 cabos submarinos no seu território, seguido pelo Djibuti, com 12, e pela África do Sul, com 11. Para a associação, estes números reflectem não apenas uma herança geográfica, mas a crescente relevância do continente como hub de tráfego global de dados.
A conectividade intra-africana também regista avanços significativos, de acordo com a publicação da ADCA. Os novos projectos transfronteiriços de fibra óptica estão a interligar mercados anteriormente isolados, reduzindo a necessidade de encaminhar tráfego entre países vizinhos através de pontos de troca europeus, classificando esta evolução como um passo crucial para a criação de um ecossistema digital integrado e soberano.
O relatório aponta ainda que a configuração actual da conectividade no continente impõe uma abordagem tecnológica multimodal. Segundo a ADCA, a fibra óptica continua a ser a solução ideal para as zonas de alta densidade de tráfego, enquanto as ligações hertzianas por rádio frequência asseguram a cobertura regional em áreas de menor densidade populacional, onde a implantação de fibra não é economicamente viável.
Se os dados da ADCA confirmam que a infra-estrutura física avança a um ritmo acelerado, o verdadeiro teste apontado pelo mercado será a capacidade de converter esta rede em serviços efectivamente consumidos pela população e pelas empresas, transformando quilómetros de cabos em oportunidades concretas de desenvolvimento.




