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Angola tem 3% das ligações móveis em 5G e cobertura deverá chegar a 45% até 2030

Angola tem 3% das ligações móveis em 5G e cobertura deverá chegar a 45% até 2030
Angola tinha, em 2025, 3% das ligações móveis em 5G, enquanto a cobertura da tecnologia alcançava 18% da população, segundo o relatório “5G in Africa 2026: Market status, trends and outlook“, da GSMA Intelligence, que prevê uma expansão da adopção para 13% das ligações móveis e da cobertura para 45% da população até 2030.
 
O estudo inclui Angola entre os 16 mercados africanos analisados em detalhe e mostra que o país já dispõe de uma base comercial de 5G, embora a expansão continue concentrada na ampliação da cobertura e na utilização da tecnologia para aumentar o acesso à banda larga.
 
Angola tem 3% das ligações móveis em 5G e cobertura deverá chegar a 45% até 2030
 
Ao todo, o estudo prevé que África deverá atingir pouco menos de 100 milhões de ligações 5G até ao final de 2026, equivalentes a 6,2% das ligações móveis, com a adopção a superar 380 milhões de ligações, ou pouco mais de 20%, até 2030.
 
Angola tem 3% das ligações móveis em 5G e cobertura deverá chegar a 45% até 2030
 
5G comercial desde 2022
 
A 5.ª geração da tecnologia de rede móvel celular foi laçada comercialmente no país em 2022, tendo a Unitel liderado a implantação através do serviço NetCasa 5G FWA, inicialmente em Luanda e posteriormente expandido para províncias como Malanje, Cabinda e Namibe.
 
O estudo observaque a Unitel, Movicel e a Africell dispõem de espectro de banda média entre 3,3 e 3,7 GHz, que é utilizado para serviços móveis e fixos, enquanto o espectro de bandas baixas existente está a ser progressivamente reutilizado para apoiar a expansão da rede.
 
Neste contexto, a tecnologia 5G FWA (internet fixa sem fio) aparece como o principal caso de utilização do 5G em Angola, com a Unitel a disponibilizar planos ilimitados e velocidades de até 200 Mbps, numa alternativa à infra-estrutura de fibra óptica ainda limitada em determinadas zonas.
 
O relatório aponta também aplicações de banda larga móvel melhorada e iniciativas de transformação digital empresarial, particularmente nos sectores de petróleo e gás e cidades inteligentes.
 
País dispõe de espectro de 3,5 GHz
 
Na componente de espectro, a GSMA identifica 3,5 GHz como a faixa de 5G atribuída em Angola em Maio de 2026. Neste aspecto, o país aparece ao lado de mercados como Argélia, Quénia e Maurícia, embora alguns mercados africanos disponham de combinações mais amplas de bandas, incluindo frequências baixas e outras faixas de capacidade.
 
A organização argumenta que a opção por bandas médias está alinhada com a estratégia predominante no continente, onde os operadores continuam a privilegiar frequências capazes de equilibrar cobertura, capacidade e custos de implantação, enquanto o espectro de alta frequência, como 26 GHz e 28 GHz, permanece sobretudo em fase de planeamento ou testes na maioria dos mercados africanos.
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Velocidade mediana de rede
 
A nível do desempenho da rede, Angola surge com uma velocidade mediana de download 5G de 193 Mbps no período de Fevereiro a Abril de 2026, de acordo com o Speedtest da Ookla. O resultado coloca assim o país à frente de mercados como Nigéria, África do Sul, Uganda, Moçambique e Zâmbia, mas atrás das Ilhas Maurícias, Argélia e Costa do Marfim no conjunto de países apresentados.
 
A GSMA relaciona as diferenças de desempenho entre os mercados africanos com factores como a quantidade de espectro disponível, a densidade das estações de base e o nível de investimento dos operadores. Segundo o documento, os mercados com maior disponibilidade de espectro de banda média e redes mais densas tendem a apresentar velocidades 5G mais elevadas e consistentes.
 
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FWA pode ajudar a expandir a banda larga
 
A experiência angolana enquadra-se numa tendência mais ampla identificada pela GSMA, segundo a qual o 5G FWA está a assumir um papel importante na expansão da banda larga africana, sobretudo em mercados onde a fibra óptica ainda apresenta cobertura limitada.
 
Cerca de 40 das 61 redes 5G existentes em África em meados de 2026 já ofereciam FWA, com menos de um milhão de ligações deste tipo no continente e uma previsão de crescimento para mais de 3,5 milhões até 2030.
 
O estudo considera que, para Angola, esta utilização é particularmente relevante porque o relatório identifica o FWA como o principal caso de uso da tecnologia no país, colocando o 5G não apenas como uma evolução das redes móveis, mas também como uma alternativa para fornecer conectividade fixa a residências e empresas onde a expansão da fibra é mais difícil ou dispendiosa.
 
Angola entre os mercados onde avançam redes privadas 5G
 
O país surge também entre os mercados africanos onde se concentra a actividade relacionada com redes privadas 5G. Dados da Global mobile Suppliers Association indicavam que cerca de 32 empresas africanas estavam, no início de 2025, a adquirir equipamentos para redes privadas, representando aproximadamente 21% do total mundial, com a actividade concentrada sobretudo na África do Sul, Nigéria e Angola.
 
A referência coloca o país entre os mercados africanos onde o 5G começa a ser considerado para além da conectividade do consumidor, com potencial para aplicações empresariais e industriais, enquanto outros mercados avançam com casos de uso ligados à mineração, logística, manufactura e automação.
 
O relatório considera que a expansão destas aplicações poderá aumentar o valor económico do 5G para além da simples prestação de serviços móveis.
 
Expansão ainda depende da cobertura e da capacidade de adopção
 
Apesar dos avanços, os dados mostram que a adopção do 5G em Angola permanece numa fase inicial, com 3% das ligações móveis em 2025, enquanto a cobertura de 18% da população significa que a tecnologia ainda não alcança a maioria dos habitantes. A projecção de 13% de adopção e 45% de cobertura até 2030 aponta, contudo, para uma expansão significativa nos próximos anos.
 
Angola tem 3% das ligações móveis em 5G e cobertura deverá chegar a 45% até 2030
 
No geral, a GSMA considera que a expansão do 5G em África será determinada não apenas pela construção de redes, mas também pela disponibilidade de dispositivos acessíveis, expansão da cobertura e utilização de modelos de implantação orientados para casos de uso.
 
Essa abordagem, de acodo com o estudo, é particularmente relevante para mercados onde o poder de compra limita a migração rápida dos consumidores para equipamentos compatíveis com 5G.
 
O estudo conclui que o 5G está a deixar de ser apenas uma tecnologia para fornecer Internet móvel mais rápida e começa a assumir um papel na expansão da banda larga, na transformação digital empresarial, nos serviços de cloud, na Internet das Coisas e na digitalização de sectores como a indústria e a mineração.
 
A GSMA estima, por isso, que o 5G e o seu ecossistema poderão acrescentar cerca de 26 mil milhões de dólares à economia do continente berço até 2030, através de ganhos de produtividade, inovação e crescimento dos serviços digitais.

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