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A Deloitte revelou nesta quinta-feira (12) as tendências tecnológicas que vão redefinir o futuro das organizações em Angola nos próximos 18 a 24 meses, durante a apresentação do resumo da 16.ª edição do estudo anual Tech Trends da empresa, que decorreu à margem da 5ª edição do ANGOTIC.
Ao Portal de T.I, o sócio-responsável por tecnologia na Deloitte em Angola, António Veríssimo, avançou que a edição 2025 do estudo aponta três tendências para Angola, nomeadamente inteligência artificial, cibersegurança e a função da tecnologia amplificada nas organizações.
Inteligência Artificial
Segundo o responsável, as empresas discutem cada vez mais, estão a reforçar os orçamentos e a aceitar a sua coexistência com a inteligência artificial generativa (GenAI). António Veríssimo acrescenta que a generalidade das empresas já pensa em fazer estudos pilotos de GenAI e aceita a necessidade de rever os orçamentos para prover mais recursos e equipas para aplicar esta tecnologia.
Contudo, observou que embora muitas empresas já estejam a usar ferramentas como o ChatGPT, o mesmo não se pode dizer sobre o uso de agentes de inteligência artificial baseados em GenAI. Segundo o responsável, há nas empresas a preocupação sobre o consumo de dados das soluções de IA, o que exige das organizações a criação de mecanismos de protecção e salvaguardas para o seu uso.
Há igualmente preocupações sobre a regulamentação, uma vez que a tecnologia está a avançar mais rápido que os reguladores, o que levanta, por exemplo, discussões sobre a soberania dos dados e a protecção de propriedade intelectual. Estas questões, disse, reforçam a necessidade da criação de leis que limitem a acção da GenAI.
“Nem tudo é possível fazer, a GenAI não pode sobrepor-se às leis do país”, reforçou.
António Veríssimo acredita que com a entrada da IA nas organizações, várias tarefas executadas por humanos as serão alteradas ou deixarão de ser necessárias. Entretanto, contrariando a tendência, o responsável afirma que neste cenário de profundas alterações as empresas têm uma oportunidade única para recapacitar e reconverter os seus funcionários para desempenharem outras funções com mais valor.
“Não se deve assumir que a GenAI vai levar a despedimentos. A redução de quadros é algo que não se justifica, justifica-se é a reconversão de quadros, para fazerem outro tipo de actividade de maior valor. Ou seja, os quadros deixam as actividades rotineiras para a GenAI e passam a analisar os resultados das acções desenvolvidas pelos agentes de inteligência artificial (GenAI)”, referiu.
Cibersegurança
Ao nível da cibersegurança, o estudo da Deloitte alerta para a urgência de repensar os modelos de protecção digital, num cenário onde a confiança se torna um activo estratégico para cada organização. O relatório observa que a utilização de agentes de inteligência artificial aumenta significativamente os desafios de protecção cibernética, o que obriga as organizações a tomarem cuidados redobrados.
Negócio da tecnologia
Quanto à função da tecnologia amplificada nas organizações, o estudo destaca a sua transformação no “centro das operações empresariais”. O documento aponta que a tecnologia é cada vez mais tida como uma das principais dimensões estratégicas de sucesso e posicionamento das empresas num mercado global competitivo.
“A introdução da IA na gestão de processos de tecnologia, no ciclo de desenvolvimento e manutenção de aplicações de SI/TI e até na tomada de decisão está a redesenhar o papel das equipas de tecnologia e a abrir novas oportunidades de negócio”, refere o estudo.
O documento defende que os líderes empresariais devem adoptar uma abordagem integrada, onde o investimento em tecnologia deixa de ser visto como apenas uma rubrica funcional e passa a ser uma peça essencial na estratégia, com particular foco na melhor forma de cativar, desenvolver, capacitar, reter e recompensar o melhor talento técnico disponível.


