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Entre adopção de inteligência artificial (IA) em Angola entrou, em 2026, numa nova fase, marcada pela transição dos projectos-piloto para aplicações reais nas organizações, sobretudo através de agentes digitais, revelou em entrevista ao Portal de T.I o sócio responsável pela consultoria tecnológica da Deloitte em Angola, durante a terceira edição do programa “AICEP TECH – powered by Deloitte”,
António Veríssimo falava na sequência de uma conversa mantida em Junho de 2025, durante o ANGOTIC, onde a empresa apresentou as tendências tecnológicas que redefiniriam o futuro das organizações em Angola nos próximos 18 a 24 meses.
Segundo o responsável, após a demonstração das potencialidades dos agentes digitais naquele ano, o foco passou para a implementação prática, com várias empresas a desenvolverem casos de uso concretos e, em alguns casos, já em ambiente de produção, integrando estas soluções no seu dia-a-dia operacional.
A estratégia da Deloitte passou por adaptar soluções globais ao contexto africano, tendo como objectivo demonstrar o potencial imediato dos agentes digitais em sectores como energia, banca, telecomunicações, indústria e administração pública, evidenciando ganhos de eficiência, redução de erros e automatização de tarefas repetitivas.
Desde então, referiu, registou-se um aumento da abertura das organizações, que passaram a reconhecer o valor destas tecnologias e a procurar parceiros com capacidade para desenvolver soluções ajustadas às suas necessidades, num movimento impulsionado também pela crescente visibilidade do tema a nível global.
“Estamos a ajudar muitas organizações em Angola, dos vários sectores de actividade, a desenvolverem os seus casos de estudo em que são utilizados agentes digitais. Há casos em que estes agentes já entraram em modelos de utilização diária, noutros encontram-se em execução ainda em ambientes controlados, para testes”, disse.
António Veríssimo afirma que o sector financeiro surge como o mais dinâmico nesta transição, pressionado pela concorrência e pela necessidade de melhorar a experiência do cliente, com maior aposta na inovação, diversificação de canais e eficiência operacional, factores que aceleram a adopção de agentes digitais.
Paralelamente, organizações com desafios internos significativos, sobretudo ao nível de processos administrativos, começam a utilizar estas soluções para simplificar operações, reduzir burocracia e libertar recursos humanos para funções de maior valor acrescentado.
A administração pública acompanha esta tendência, inserida num esforço mais amplo de transformação digital, embora com um ritmo condicionado pela complexidade dos processos e pela necessidade de enquadramento institucional.
Apesar dos avanços, António Veríssimo entende que a adopção permanece cautelosa e progressiva, condicionada por factores como segurança da informação, custos de utilização, soberania de dados e necessidade de capacitação das equipas, o que impede uma implementação rápida e generalizada.
“Outro grande desafio passa por garantir que as equipas adoptem estes agentes de forma integrada, e não apenas a nível individual, permitindo melhorar a execução das actividades, elevar os resultados e optimizar os custos”, afirmou.
O responsável antecipa que os agentes digitais venham a funcionar como uma nova força de trabalho nas organizações, exigindo ajustamentos nos modelos de governação, definição de responsabilidades e criação de regras claras para o uso da inteligência artificial, incluindo limites legais e operacionais.
Neste contexto, António Veríssimo prevê que a evolução nos próximos anos deverá ser gradual, com as empresas a privilegiarem uma abordagem controlada e baseada em testes, num equilíbrio entre inovação e risco, num cenário em que a adopção da IA pelas empresas continua a acelerar, “mas com com muita cautela e sem ruptura imediata, porque ninguém quer ser cobaia neste processo”.




