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Investigador angolano desenvolve modelo de inteligência artificial para prever surtos de malária

Investigador angolano desenvolve modelo de inteligência artificial para prever surtos de malária

O investigador angolano Joaquim Timóteo desenvolveu um modelo de inteligência artificial capaz de prever o risco de surtos de malária em Angola, uma solução que poderá apoiar a vigilância epidemiológica e ajudar as autoridades de saúde na antecipação de medidas de controlo da doença.

Em entrevista ao Portal de T.I, o jovem universitário explicou que o modelo combina técnicas de aprendizagem de máquina com dados epidemiológicos, climáticos e históricos da malária para identificar padrões de evolução da doença. A solução foi treinada com informações recolhidas ao longo de 25 anos nas 21 províncias do país, permitindo estimar zonas com maior probabilidade de aumento de casos antes da ocorrência de surtos.

Joaquim Timóteo afirmou que a criação da ferramenta surgiu da necessidade de encontrar novas formas de combater uma doença que continua entre as principais causas de mortalidade no país. Segundo o investigador, a inteligência artificial pode transformar dados já existentes em informações úteis para apoiar decisões mais rápidas e eficazes no sector da saúde.

O desenvolvimento do modelo envolveu vários meses de investigação, desde a recolha e tratamento de dados até à construção e avaliação de diferentes modelos de aprendizagem automática. O investigador utilizou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), da plataforma NASA POWER e de outras fontes científicas internacionais para desenvolver a arquitectura final da solução.

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Os testes realizados com dados de Angola referentes ao período de 2000 a 2024 apresentaram resultados positivos, o modelo alcançou um coeficiente de determinação (R²) entre 0,97 e 0,98, conseguindo explicar cerca de 98% da variação da incidência da malária. Além disso, apresentou um erro médio entre 6,9 e 9,9 casos por mil habitantes, desempenho superior ao dos modelos tradicionais usados como referência.

Apesar de ainda não estar integrado no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, a ferramenta foi validada com dados reais e apresentou capacidade para prever tendências da doença em diferentes períodos. Para Joaquim Timóte, os resultados demonstram o potencial da solução para ser aplicada futuramente no apoio às políticas de saúde pública.

Joaquim Timóteo considera que a tecnologia também pode ser adaptada para prever outras doenças infecciosas, desde que existam dados históricos suficientes, entre os exemplos apontados estão a dengue, cólera, febre-amarela, tuberculose e COVID-19. O investigador revelou ainda que trabalha no desenvolvimento de um modelo semelhante para a previsão do VIH/SIDA na África do Sul.

Joaquim Timóteo é investigador universitário na área da Inteligência Artificial, engenheiro de software e cientista de dados. Actualmente, frequenta o curso de Segurança da Informação e Cibersegurança na Moscow Technical University of Communications and Informatics (MTUCI), na Federação Russa.

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Timóteo defende que a ciência e a inovação devem servir para responder aos desafios do país e incentiva os jovens angolanos a apostarem na investigação como forma de contribuir para o desenvolvimento nacional.

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