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Os países africanos com programas espaciais mantêm a aposta na exploração espacial como parte das suas agendas nacionais de desenvolvimento científico, tecnológico e económico. Entretanto, em 2025 o orçamento total canalizado para o sector atingiu 426,31 milhões de dólares, o mais baixo dos últimos quatro anos.
Este valor, segundo o relatório da NewSpace Africa, inclui os fundos estatutários para programas espaciais nacionais e as contribuições da União Africana para apoiar a Agência Espacial Africana. Objectivamente, o orçamento representa uma redução de 7,73% quando comparado aos 462,01 milhões de dólares alocados em 2024.
Para efeitos comparativos, em 2023 o fundo disponibilizado para o sector totalizou 646,28 milhões, em 2022 totalizou 446,18 milhões e em 2021 foi de 439,38 milhões, isto após saltar dos 367,05 milhões de dólares em 2020.
Ou seja, o investimento no sector espacial africano aumentou 19,71% entre 2020 e 2021, cresceu apenas 1,55% em 2022 e saltou para 44,85% em 2023. Em 2024, este ciclo começou decrescer para -28,51% e em 2025 chegou aos -7,73%.
Um modelo financeiro diferente
Factores como desafios económicos, mudanças nas prioridades nacionais, flutuações nas taxas de câmbio e a conclusão de grandes projectos de infra-estrutura espacial estão entre os responsáveis pela redução no valor canalizado para o sector espacial africano, argumenta o relatório.
“Muitos países estão a abandonar o modelo tradicional de financiamento para os seus programas espaciais. Embora os seus orçamentos anuais para agências espaciais permaneçam modestos, eles estão a alocar cada vez mais fundos adicionais para grandes projectos de infra-estrutura além do seu financiamento anual regular”, explica Mustapha Iderawumi, analista sénior da Space in Africa.
O analista toma como exemplo o caso de Angola, país cujo orçamento espacial tem sido consistentemente inferior a 5 milhões de dólares anuais nos últimos anos. Apesar disso, observa, em Janeiro de 2025 o país assinou um acordo de 225 milhões de euros para desenvolver o ANGEO-1, um satélite de observação da Terra de alta resolução.
“Isso ilustra a nova abordagem de financiamento: embora as alocações anuais para agências espaciais possam parecer reduzidas, as nações estão, na verdade, a investir mais, apenas por meio de um modelo financeiro diferente”, reforça.
Para onde vai o dinheiro e de onde vem?
O relatório refere que, de modo geral, os orçamentos espaciais em África se concentram em três áreas principais, apesar das flutuações cambiais:
- Custos operacionais e administrativos para sustentar os programas espaciais nacionais;
- Projectos de pequena e média escala para desenvolver soluções espaciais utilizando infra-estruturas de Observação da Terra, comunicações via satélite e astronomia;
- Investimentos em infra-estrutura de larga escala em projectos-chave, como desenvolvimento de satélites, estações terrestres, construção de telescópios, instalações de Fabricação, Montagem, Integração e Teste (MAIT) e outras iniciativas de pesquisa e desenvolvimento.
Em muito casos, as agências recebem verbas suplementares para a construção desses projectos ou obtêm financiamento através de doações, ou empréstimos de Bancos de Exportação e Importação, instituições financeiras especializadas como Agências de Crédito à Exportação, refere o documento.
Por exemplo, prossegue, Angola obteve um empréstimo do Banco VTB da Rússia para construir o Angosat-1, desenvolvido pela RKK Energy. A China Eximbank e o Governo da Nigéria assinaram um acordo de crédito preferencial de 200 milhões de dólares para financiar o NigComSat-1 e o Egipto obteve um empréstimo da francesa Bpifrance para construir o seu satélite de comunicação TIBA-1.




