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A TIS, empresa de consultoria de negócios e tecnologia, defendeu nesta terça-feira (3) perante decisores de hospitais, clínicas, laboratórios e reguladores, a substituição do modelo de negócio centrado no acto médico por soluções digitais, integração de dados e novas práticas de gestão para garantir sustentabilidade e inclusão no sector da saúde em Angola.
O posicionamento foi expresso durante a segunda edição do Business & Breakfast Saúde, realizado pela TIS.
Na ocasião, o consultor de negócios empresa, Edgar Santos, alertou que o peso da despesa em saúde paga directamente pelo utente pode crescer dos actuais 36,5%, conforme dados do Banco Mundial (BM) e Organização Mundial da Saúde (OMS), para 65%.
“Estamos a assistir a um colapso silencioso. Ou mudamos já, ou ficamos para trás”, alertou
O responsável lamentou o facto da tradicional facturação por volume de actos estar a empurrar o sistema de saúde para um ciclo de custos sem fim, fragmentação de informação e exclusão de doentes crónicos.
Citando o BM e a OMS, o responsável lembrou que o Estado mantém a despesa pública abaixo de 2% do PIB e, por sua vez, as empresas cortam benefícios e aderem a apólices ‘low cost’, enquanto os hospitais e as clínicas enfrentam inflação, câmbio volátil e escassez de recursos materiais.
Tais medidas, prosseguiu, resultam na cobertura cada vez mais limitadas e plafonds rapidamente esgotados, levando a que “quase todas as apólices excluam doenças crónicas e tratamentos de alto custo”.
Para o responsável, o futuro passa pela remuneração baseada em valor e premiar resultados clínicos, não quantidade de procedimentos. Práticas de compras centralizadas, formação em telemedicina e análise preditiva respondem à escassez de recursos. Edgar Santos entende que o sector pode, e deve, alinhar incentivos para reduzir desperdício, aumentar transparência e recuperar a confiança do investidor.
“A combinação de plataformas em nuvem, prontuário electrónico e interoperabilidade podem gerar economias operacionais significativas, frequentemente na faixa de até 25%. No entanto, esses números variam conforme o nível de maturidade digital da instituição, o escopo do projecto e o grau de integração entre sistemas” reforçou.
O Business & Breakfast Saúde é um ciclo de encontros promovido pela TIS Angola, em parceria com a revista Economia & Mercado, que visa reunir profissionais, gestores e especialistas do sector da saúde para discutir os principais desafios, tendências e oportunidades do mercado da saúde privada em Angola.
Realizado em formato de pequeno-almoço executivo, o evento promove debates estratégicos sobre temas como inovação na jornada do paciente, qualidade do atendimento, sustentabilidade dos serviços, financiamento, e transformação digital na saúde.




