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USSD e o futuro da inclusão digital em Angola e África

Por : Morato Custódio – Empreendedor e CEO da LP Electrónica

USSD (Unstructured Supplementary Service Data) é um protocolo GSM (Global System for Mobile Communications) usado para enviar mensagens de texto. O USSD é semelhante ao SMS (Short Message Service). Com o USSD, os usuários interagem directamente dos seus telemóveis, fazendo seleções em vários menus. Ao contrário de uma mensagem SMS, durante uma sessão USSD, cada mensagem cria uma conexão em tempo real, o que significa que o USSD permite a comunicação bidirecional de informações, desde que a linha de comunicação permaneça aberta. Como tal, as consultas e respostas são (quase) instantâneas. O USSD pode ser usado para navegação WAP (Wireless Application Protocol), serviços de Mobile Money, serviço de retorno de chamada pré-paga, serviços de informação baseados em menu e serviços de conteúdo baseados em localização, mas o foco desse artigo é no Mobile Money.

O USSD como canal é extremamente difícil de comunicar aos utilizadores, ao ponto que os países do leste de africa tiveram que se desdobrar com termos mais simples para o usuário comum entender, dependendo da entidade, o serviço era comunicado com um nome diferente. 

O USSD foi fundamental para mitigar o problema da pouca penetração da internet em África no início dos anos 2000, de tal forma que as MNOs e provedores de serviços financeiros encontraram o canal ideal para interagir com as massas.

Em Angola, ainda não encontramos a terminologia mais assertiva e não precisamos, com 10 anos de atraso, o USSD está ultrapassado e está na altura de seguirmos em frente.

Na década de 2020 podemos dizer oficialmente que é a década das aplicações (APPs), por serem mais intuitivas e mais fácil de pivotar, proporcionando mais valor por conexão. Na região subsaariana, especialmente em Angola, precisamos continuar a impulsionar o acesso a telemóveis de nível baixo (entre $40 e $90) e acelerar a tendência global.

Tal iniciativa precisa de “Patrocínio” político. À semelhança do Rwanda e do Kenya, Angola precisa na sua agenda de governo, um alargamento das iniciativas macro (Angola Cables, AngoSat, etc.) de fomento na capacidade de internet, com acções focadas nos utilizadores finais, para fomento da utilização de plataformas digitais que agregam valor a todos os cidadãos. É preciso quebrar a barreira do acesso ao primeiro smartphone e para isso o estado precisa de incentivar a iniciativa privada:

  1. Incentivos fiscais para as operadoras Moveis com carteiras de créditos ao consumo (Telemóveis financiados em até 15 – 20 meses).
  2. Pagamento de benefícios sociais, segurança social e outros pagamentos pontuais, por Mobile Money com os provedores (MNOs ou Bancos com plataformas Mobile Money) que garantam telemóveis a preço de custo para os beneficiários com pagamento a 24 meses a descontar um valor residual a cada “depósito”.
  3. Isenção de direitos de importação e IVA para importação de telemóveis ou componentes para montagem em Angola acima 50.000 unidades, com contrapartida de margem lucro/venda até 15%.
  4. Acordo entre o Estado Angolano e as operadoras móveis para aquisição de telemóveis a prestação nas operadoras locais, por parte de todos os funcionários públicos com pagamento por débito directo em conta.
  5. Instalação de pontos de acesso a internet gratuito em parceria com o sector privado.

Temos muitos exemplos a seguir com a vantagem de darmos saltos qualitativos, aprendendo com os erros e acertos de quem fez primeiro. Obrigado USSD, mas agora é a vez das APPs.

 

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