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As empresas angolanas já encaram a cibersegurança como prioridade crescente no processo de transformação digital, afirmou o director financeiro da Easy People, Alexandre Teixeira, em entrevista ao Portal de T.I durante a edição 2026 do The Vertical Congress, realizada na última semana em Luanda.
A digitalização, referiu, amplia o volume de informação sensível e eleva a exposição a ameaças, o que obriga as organizações a reforçarem mecanismos de protecção e confidencialidade. No seu entender, o sector tecnológico nacional está hoje mais atento aos riscos digitais, após alguns incidentes que expuseram vulnerabilidades em sistemas institucionais e empresariais.
“A questão da segurança hoje é fundamental. Todas as empresas que têm uma área de T.I significativa em Angola estão focadas nisso, porque a segurança já não é tão física, é muito mais digital. Tudo isso tem levado a que o sector de cibersegurança tenha crescido muito nos últimos anos”, afirmou.
Alexandre Teixeira explica que muitas empresas passaram apenas processos físicos para suporte tecnológico, sem reformular modelos operacionais. Na sua avaliação, a digitalização implica recriar processos e adoptar novas arquitecturas de funcionamento, tendência que começa a ganhar maior expressão tanto no sector público como no privado.
Como exemplo disso, aponta a modernização fiscal conduzida pela Administração Geral Tributária como um dos principais impulsionadores da digitalização institucional, salientando, que a evolução ocorre de forma gradual e exige integração permanente de políticas de segurança digital.
Quanto à capacidade nacional de gestão de dados, Alexandre Teixeira considera que Angola ainda enfrenta limitações técnicas e estruturais, apesar de reconhecer progressos recentes.
Na sua visão, o mercado angolano permanece relactivamente fechado, o que reduz a exposição a redes internacionais de cibercrime, mas alerta que o crescimento económico poderá elevar os riscos nos próximos anos. E para as empresas se manterem protegidas, diz, não existem soluções universais de cibersegurança.
“Cada organização deve avaliar activos, vulnerabilidades e especificidades operacionais antes de adoptar tecnologias de protecção, pois a gestão do ciclo de vida da informação exige diagnóstico rigoroso e estratégias adaptadas à dimensão e ao sector de actividade”, defende.
No domínio da formação de quadros, Alexandre Teixeira afirma que a escassez de profissionais qualificados continua a ser um desafio, embora identifique melhorias na oferta formativa nacional. Das iniciativas da Easy People, destaca parcerias académicas e programas técnicos desenvolvidos internamente.
“Nós, como todas as empresas angolanas do sector de T.I, sofremos com a necessidade de termos quadros qualificados. Felizmente, noto uma melhoria significativa no sector, já não é tão difícil como há 10 anos, pois tem havido uma aposta significativa do Estado e de algumas empresas privadas na formação de quadros nacionais. A Escola 42 é um exemplo disso”, afirmou.
A Easy People, disse, mantém programas internos de capacitação técnica e criou um plano de estágios para recrutar jovens talentos das principais universidades do país. Os estagiários participam em projectos empresariais e podem integrar os quadros permanentes mediante avaliação de desempenho.
Por via da sua iniciativa “Easy Educa”, a empresa financia integralmente propinas universitárias de trabalhadores e filhos de colaboradores, afirmou, reforçando que a estratégia da empresa inclui incentivos salariais como mecanismo de retenção e progressão profissional.
“O investimento nos recursos humanos é um compromisso da Easy People por entenderemos que se não investirmos nas pessoas, não há a possibilidade de crescermos”, finalizou.




