O banco central cabo-verdiano revelou nesta semana estar a estudar a viabilidade da criação de uma Moeda Digital do Banco Central (CBDC, na sigla inglesa), algo que, de acordo com os dados avançados pela administradora do Sistema de Pagamentos do Banco de Cabo-Verde (BCV), Antónia Lopes, citada pela Lusa, poderá ocorrer nos próximo dois anos, tendo em conta as análises necessárias sobre o seu potencial impacto nos diferentes sectores da economia.
“A moeda digital está no nosso plano estratégico 2021-2024, estamos a fazer estudos, há que analisar os impactos em termos da política monetária, em termos dos riscos que também traz para o sector financeiro, há que analisar os tipos de moedas e o limite para o anonimato”, disse a administradora.
À Lusa, Antónia Lopes avançou que a nova lei orgânica sobre este segmento vai dotar o banco central cabo-verdiano com competências para emitir uma versão digital do escudo (a moeda do país), no entanto o regulamento ainda precisa ser aprovado pelo parlamento.
“Já sinalizámos ao Governo a necessidade de atribuir competências ao Banco de Cabo Verde para regular esse segmento, para permitir a quem quer prestar esse tipo de actividade ter a regulamentação necessária, mas sobretudo em termos da lavagem de capitais e combate ao financiamento do terrorismo”, salientou.
Cabo-Verde torna-se assim o segundo país lusófono em África, a seguir a Angola, a sinalizar intenções de criar uma CBDC. Recorde-se que em Março último o Conselho de Supervisores do Sistema Financeiro angolano (CSSF) elaborou, em pareceria com a Unidade de Informação Financeira do país (UIF), um documento em que propõe ao governo a criação de uma força-tarefa multissectorial para avaliar os impactos transversais resultantes da emissão, custódia e venda de activos digitais na economia angolana.
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