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De acordo com a Investopedia e a Encyclopaedia Britannica, a Geração Z é composta por indivíduos nascidos entre 1997 e 2012. Trata-se da primeira geração a crescer inteiramente num ambiente digital, profundamente influenciada pela tecnologia, pelas redes sociais e por acontecimentos globais marcantes, como a Grande Recessão e a pandemia. É também uma geração cuja principal fonte de informação provém das redes sociais. Contudo, estas plataformas não fornecem apenas conteúdos de qualidade, mas também uma grande quantidade de informações falsas, nocivas e potencialmente prejudicial à saúde mental.
Em um artigo publicado pela Vice sugere que a Geração Z é a primeira, na história moderna, a apresentar um declínio no desempenho académico em comparação com a geração anterior. Com base em investigações do neurocientista Jared Cooney Horvath, os dados apontam para reduções generalizadas em competências como a atenção, a memória, a literacia, a numeracia e a capacidade cognitiva global.
Segundo Horvath, esta tendência está fortemente associada ao aumento do tempo de exposição a ecrãs e ao uso crescente de tecnologia digital na educação. Estes factores poderão estar a incentivar uma aprendizagem mais superficial, em detrimento de uma compreensão profunda dos conteúdos. O investigador defende ainda que a diminuição do contacto com actividades que exigem concentração prolongada e esforço intelectual tem contribuído para o enfraquecimento do desenvolvimento cognitivo, sendo este padrão observado em diversos países. Como solução, propõe a limitação do uso de ecrãs e a
reintrodução de práticas de aprendizagem mais exigentes e aprofundadas.
Outro hábito cada vez mais comum entre os jovens desta geração é o uso frequente de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT. Um estudo conduzido pelo Media Lab do Massachusetts Institute of Technology, envolvendo 54 participantes da área de Boston com idades entre 18 e 39 anos, analisou o impacto destas ferramentas na escrita. Os participantes foram divididos em três grupos: um utilizou o ChatGPT, outro recorreu ao motor de busca da Google e o terceiro não utilizou qualquer apoio digital. A actividade
cerebral foi monitorizada em 32 regiões através de Electroencefalografia.
Os resultados indicaram que os participantes que utilizaram o ChatGPT apresentaram os níveis mais baixos de activação neural, além de um desempenho inferior em métricas cognitivas, linguísticas e comportamentais, quando comparados com os restantes grupos. Ao longo de vários meses, observou-se ainda uma redução gradual do esforço por parte destes utilizadores, que passaram a recorrer com maior frequência à prática de copiar e colar conteúdos.
Perante este cenário, impõe-se uma questão pertinente: como será a capacidade cognitiva dos futuros líderes de Angola nas próximas duas décadas?
Importa salientar que Angola possui uma população maioritariamente jovem. Num artigo anteriormente publicado neste portal, intitulado Crianças e Adolescentes na Internet, foi referido que Angola é o quarto país do mundo com maior proporção de população com menos de 18 anos. Além disso, de acordo com dados de 2020 do Fórum Económico Mundial, o país ocupava a sexta posição no contexto africano neste indicador.
Neste contexto, a forma como esta geração utiliza a tecnologia hoje poderá ter implicações profundas na qualidade da liderança e no desenvolvimento do país.



