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A aplicação da inteligência artificial (IA) vai contribuir em até 0,8% ao crescimento económico mundial, afirmou esta quinta-feira (16) a directora geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva.
A declaração foi expressa durante a conferência de imprensa central das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em que foi solicitada a descrever “o papel que o boom de investimentos em IA desempenha na resiliência da economia global”.
“O boom de investimentos em IA está a trazer um optimismo incrível, concentrado principalmente nos EUA. Quando analisamos a distribuição dos investimentos em IA, os EUA se destacam, seguidos pelo resto do mundo”, começou por dizer Kristalina Georgieva.
Segundo a responsável, isto leva a reconhecer que o impacto da IA na economia mundial dependerá de dois factores essenciais: a disponibilidade de energia em escala suficiente para suportar a elevada procura do sector, já comparável a cerca de metade do consumo energético total dos EUA, e a capacidade da tecnologia se difundir pelos vários sectores produtivos.
“Fizemos a nossa avaliação. A nossa visão neste momento é que, de facto, a IA contribuirá para o crescimento, algo entre 0,1% e 0,8%. Isso é significativo. Lembrem-se que estamos presos a um crescimento de cerca de 3% actualmente. E se conseguíssemos extrair esse tipo de impulso de crescimento, seria muito significativo para o mundo”, disse.
Kristalina Georgieva reconheceu, contudo, que a economia global ainda não está a experimentar uma penetração da IA que demonstre a sua contribuição para o aumento da produtividade, alertando, por isso, que os países devem se preparar rapidamente para a transição tecnológica.
Essa percepção baseia-se num “Índice de Preparação para a IA” desenvolvido pelo FMI, que avalia 174 economias com base em quatro critérios: infra-estrutura digital, qualificações da força de trabalho, capacidade de inovação e quadro regulamentar e ético.
Nele, as economias avançadas e alguns mercados emergentes, como a China e vários países do Golfo Pérsico, ocupam as melhores posições, enquanto as nações de baixo rendimento permanecem na base, afirmou a gestora.
“Portanto, o risco que vemos é que podemos ter um mundo em que há um aumento na produtividade, mas isso também é uma fonte de divergência dentro dos países e entre os países. É por isso que volto ao ponto anterior: a preparação realmente importa. Está a acontecer rapidamente e não temos muito tempo como sociedades para estarmos preparados para a IA”, alertou.




