O governo dos Estados Unidos adquiriu uma participação de 9,9% na Intel, a fabricante norte-americana de semicondutores que tem enfrentado dificuldades financeiras e concorrenciais. O investimento total ascende a 8,9 mil milhões de dólares, financiado através de verbas da Lei CHIPS e do programa Secure Enclave.
Este acordo surge após um período turbulento para a Intel, que tem vindo a perder quota de mercado tanto no design como na fabricação de chips. A empresa, anteriormente dominante, viu a produção migrar para a Taiwan e enfrenta uma concorrência feroz de empresas como a Nvidia, que lidera o actual “boom” da inteligência artificial, e da AMD, que actualmente tem o domínio do mercado de processadores.
Num comunicado partilhado na sua rede social, o Presidente Donald Trump afirmou que “os Estados Unidos não pagaram nada por estas acções”, referindo-se ao valor agora avaliado em aproximadamente 11 mil milhões de dólares, e classificou o negócio como “excelente para a América e também para a Intel”.
No entanto, o investimento foi realizado através de fundos já alocados, que o próprio Trump tinha ameaçado cortar anteriormente. Como parte do acordo, o governo norte-americano assegurou ainda um mandato para adquirir mais 5% das acções da Intel, caso a empresa deixe de ser a accionista maioritária.
O anúncio segue-se a um encontro entre Trump e Lip-Bu Tan, CEO da Intel, na semana passada, um encontro particularmente notável dado que, anteriormente, Trump tinha exigido a demissão de Tan, alegando ligações ao governo chinês, acusações que a Intel contestou veementemente.
Este investimento maciço reflete uma aposta clara do governo norte-americano em travar a deslocalização da produção de chips e recuperar a liderança tecnológica face a potências asiáticas.




