1
O Conselho da Associação do Sistema Global para Comunicações Móveis (GSMA) reuniu-se na última semana, em Nova Deli, Índia, para definir as prioridades para o sector das telecomunicações, com destaque para a expansão do valor económico do 5G, a redução da exclusão digital, o combate às fraudes e a cooperação internacional no desenvolvimento da tecnologia 6G.
Segundo um comunicado divulgado nesta terça-feira (13), o encontro abordou a necessidade de criar condições de mercado que favoreçam o investimento em infra-estruturas móveis e permitam transformar a expansão do 5G em benefícios económicos mais amplos, incluindo através de tecnologias como o fatiamento de rede (network slicing), que permite dividir uma rede em segmentos virtuais adaptados a diferentes necessidades.
A GSMA estima que as tecnologias e os serviços móveis tenham gerado 6 biliões de dólares em valor económico em 2025, correspondentes a 6,4% do Produto Interno Bruto mundial, prevendo que a contribuição do sector alcance 11,3 biliões de dólares até 2030.
A organização prevê ainda que o 5G represente 57% das ligações móveis mundiais até 2030, num contexto em que as operadoras deverão investir 1,2 biliões de dólares em despesas de capital entre 2025 e 2030 para expandir e modernizar as suas redes.
Inclusão digital e combate às fraudes
A redução da exclusão digital foi outro dos temas centrais da reunião, numa altura em que, apesar de 97% da população mundial viver em áreas com cobertura de banda larga móvel, cerca de 3,4 mil milhões de pessoas continuam sem utilizar a Internet móvel, segundo dados citados pela GSMA.
A organização destacou o custo dos equipamentos como uma das barreiras à adopção, referindo que, nos países de baixo e médio rendimento, um smartphone básico com acesso à Internet pode representar 44% do rendimento mensal médio dos 20% mais pobres da população, percentagem que sobe para 76% na África Subsaariana.
Entre as medidas discutidas para reduzir esta barreira estão mecanismos de financiamento, reduções fiscais direccionadas e maior cooperação entre os diferentes intervenientes da cadeia de fornecimento de dispositivos, incluindo fabricantes e fornecedores de componentes.
Durante o encontro em Deli, o Conselho abordou também o combate às fraudes e defendeu uma maior cooperação entre operadoras de telecomunicações, empresas tecnológicas, reguladores e instituições financeiras, para melhorar a detecção de comunicações fraudulentas e o bloqueio de esquemas criminosos.
A GSMA destacou, neste contexto, a iniciativa “Unidos Contra Golpes”, destinada a promover soluções conjuntas para enfrentar as fraudes, incluindo os riscos associados ao uso da inteligência artificial e de conteúdos manipulados através de tecnologias deepfake.
Cooperação internacional para o desenvolvimento do 6G
O desenvolvimento da tecnologia 6G também esteve na agenda, com os participantes a discutirem a importância de manter padrões técnicos globais e promover a colaboração entre mercados, de modo a facilitar a interoperabilidade e evitar a fragmentação tecnológica.
A organização salientou ainda a importância da harmonização do espectro radioeléctrico, particularmente na banda superior de 6 GHz, identificada para utilização móvel na Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2023.
De acordo com a GSMA, países que representam mais de 80% da população mundial apoiam actualmente a utilização móvel desta banda, que poderá disponibilizar canais com larguras de 200 a 400 MHz, considerados relevantes para a evolução das redes móveis na era do 6G.
Na ocasião, o presidente da GSMA, Gopal Vittal, declarou que a cooperação entre mercados e a adopção de padrões globais podem acelerar a inovação e reforçar a confiança e a resiliência das redes, enquanto o director geral da organização, Vivek Badrinath, destacou a necessidade de manter o investimento e criar políticas que favoreçam a expansão da conectividade e o acesso à economia digital.



