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Catorze hospitais de nível central das 259 unidades sanitárias construídas nos últimos anos no país já operam com tecnologia de ponta e sistemas de inteligência artificial (IA), aplicados em áreas como diagnóstico por imagem, análises, cirurgias e formação médica personalizada, afirmou na última semana o Secretário de Estado para a Área Hospitalar.
Leonardo Inocêncio, que falava durante o “Fórum de Inteligência Artificial”, realizado pela Embaixada dos EUA em Luanda com o apoio dos Espaços Americanos, avançou que 38 mil profissionais de saúde estão a receber formação em competências digitais e tecnológicas, num esforço para garantir o manuseamento adequado das novas ferramentas nessas unidades.
“O capital humano também está em formação, 38 mil profissionais estão nesse programa e uma das partes é esta: as tecnologias de informação, para darmos os skills necessários para que os profissionais possam manusear essas unidades”, disse.
Segundo o representante do Ministério da Saúde (MINSA), a IA está a transformar todos os pilares da saúde pública, desde a promoção e prevenção até ao diagnóstico e tratamento. Com base na IA, é possível prever surtos epidémicos, como o da malária, e activar protocolos de resposta com maior eficácia, disse, sublinhando a importância dos dados clínicos e do processo electrónico na precisão diagnóstica.
O Secretário de Estado destacou também a realização, em Angola, da primeira tele-cirurgia de maior distância já alguma vez executada. O feito foi alcançado no passado dia 14 de Junho, quando o fundador e director médico do Instituto Global de Robótica da AdventHealth Celebration, Vip Patel, realizou com sucesso, a partir de Orlando – EUA, uma prostatectomia robótica em um paciente localizado em Angola.
Segundo um comunicado emitido pela AdventHealth, a distância entre o cirurgião e o paciente foi de quase 11 mil quilómetros, tornando essa operação na tele-cirurgia de maior distância já realizada e estabelecendo um novo padrão global em inovação cirúrgica.
Para além de um sistema cirúrgico robótico de última geração, console remoto e sistema de visão 3D em alta definição, uma operação dessa natureza requer conectividade de alta performance. De acordo com o Secretário de Estado, isso foi conseguido mediante a cooperação com os parceiros técnicos nacionais, incluindo ministérios, institutos e operadoras de telefonia.
“O futuro da saúde é inteligente, devemos estar conectados. A interconectividade e o uso das tecnologias de informação é uma realidade que não podemos negar. E a robótica é uma expressão máxima de inteligência artificial”, finalizou o Secretário de Estado para Área Hospitalar, Leonardo Inocêncio.



