A soberania digital africana deve-se assentar na cooperação entre os Estados, na partilha de informação sobre ameaças cibernéticas e na criação de normas conjuntas, sem que isso signifique isolamento tecnológico, defendeu o director executivo de tecnologias (CTO) da OMNIdata, Cipriano Sikito.
A posição foi apresentada durante o ANGOTIC 2026, na plenária da OMNIdata sobre “Resiliência Operacional e Continuidade do Negócio”, em resposta a uma questão sobre as formas de cooperação diplomática para proteger os dados, reduzir a dependência externa e minimizar interferências estrangeiras.
“A soberania de dados e a soberania digital não significam isolamento. Significam garantir a disponibilidade, a protecção e a gestão adequada dos recursos digitais”, afirmou.
Para Cipriano Sikito, o primeiro passo consiste na identificação das infra-estruturas e instituições críticas, que devem partilhar informações sobre ameaças, tipos de ataques e vulnerabilidades mais exploradas, sem comprometer dados sensíveis ou detalhes operacionais internos.
O responsável destacou ainda a necessidade de reforçar os acordos de cooperação entre ministérios ligados às Tecnologias de Informação e Comunicação, bem como a criação de normas, directrizes e mecanismos conjuntos de actuação no domínio da cibersegurança.
“A União Europeia percorreu esse caminho durante vários anos até chegar à directiva NIS2. Em África, podemos começar pela maturidade documental, através de acordos formais e da definição de normas comuns”, explicou.
O CTO da OMNIdata defendeu igualmente o fortalecimento da cooperação académica entre universidades africanas, considerando que muitas instituições procuram parcerias fora do continente, negligenciando colaborações com universidades de países vizinhos.
De acordo com o especialista, o aumento da investigação conjunta e da troca de conhecimento entre instituições africanas permitirá consolidar competências regionais e melhorar a capacidade de resposta aos desafios da segurança digital.



