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O Fórum Nacional de Inteligência Artificial (FNIA), que entra hoje no seu segundo dia, pretende afirmar-se como um espaço de concertação entre especialistas, empresas e instituições públicas e privadas, para apoiar a definição de políticas nacionais sobre inteligência artificial (IA) adaptadas à realidade angolana, afirmou o coordenador e co-fundador da iniciativa, Estevão Zinga, em entrevista ao Portal de T.I.
Segundo Estevão Zinga, um dos objectivos da segunda edição do fórum consiste em reunir os diferentes actores do ecossistema nacional para produzir recomendações que possam contribuir para a elaboração da Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, actualmente em consulta pública, defendendo que as políticas devem resultar de um diagnóstico das necessidades e características do país.
O responsável considerou que a IA continua a ser uma tecnologia em rápida evolução, pelo que alertou para a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a criação de um quadro regulatório e a promoção da inovação, evitando tanto restrições excessivas como lacunas que possam comprometer áreas como a cibersegurança e a protecção de dados.
Relactivamente à evolução do evento, explicou que a primeira edição teve como foco a apresentação da visão do fórum, enquanto a edição deste ano privilegia três eixos de discussão: inteligência artificial, dados e transformação digital, procurando estimular uma reflexão entre os participantes sobre a adopção responsável destas tecnologias.
Entre as novidades desta edição, destacou o lançamento da revista do FNIA, publicação que reunirá mais de dez artigos de autores de Angola, Portugal e Brasil, além de um balanço das intervenções realizadas durante o fórum e análises sobre inteligência artificial, dados, transformação digital e políticas públicas, cuja publicação está prevista para 30 de Setembro.
Quanto aos resultados esperados, Estevão Zinga afirmou que a organização pretende reforçar a consciencialização dos participantes sobre o conceito de inteligência artificial, sublinhando que esta tecnologia ultrapassa já a utilização de ferramentas como o ChatGPT ou o Gemini e envolve igualmente competências, processos e transformação organizacional.
O coordenador do FNIA afirmou ainda que a organização mantém um alinhamento com o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social e manifestou disponibilidade para partilhar as conclusões do fórum com as entidades competentes, defendendo uma maior participação de especialistas na definição da futura Estratégia Nacional de Inteligência Artificial.
Apelou também à aceleração da aprovação da estratégia nacional, sublinhando que vários países africanos já dispõem de políticas consolidadas nesta matéria, enquanto Angola ainda se encontra numa fase inicial de definição do seu enquadramento estratégico.
Questionado sobre a terceira edição do fórum, prevista para 2027, adiantou que o processo de definição dos temas terá início em Agosto, com o objectivo de identificar prioridades alinhadas com as necessidades do país e com a evolução tecnológica, acrescentando que a organização pretende reforçar a componente prática e a integração de soluções de inteligência artificial ao longo do evento.
Estevão Zinga defendeu, por fim, uma maior integração entre as instituições, considerando que a transformação digital do país depende da interoperabilidade dos serviços e da modernização dos processos administrativos, pelo que apelou a uma maior coordenação entre os sectores público e privado, para criar condições favoráveis à adopção responsável da inteligência artificial.



