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Planos de continuidade de negócio e gestão do risco tecnológico no sector da saúde: um desafio estratégico para África

Planos de continuidade de negócio e gestão do risco tecnológico no sector da saúde: um desafio estratégico para África
Por: Ivan António director de saúde digital da New Cognito 
A transformação digital da saúde está a acelerar, e África acompanha esta evolução. Vários países têm investido em novas infra-estruturas hospitalares, Sistemas de Gestão Hospitalar, processos clínicos electrónicos, telemedicina e interoperabilidade.
 
Este progresso melhora a qualidade dos cuidados, mas aumenta também a dependência da tecnologia. Garantir que os serviços permanecem disponíveis, seguros e recuperáveis tornou-se, por isso, uma prioridade estratégica.
 
Na saúde, uma falha tecnológica vai muito além da indisponibilidade de um sistema. Pode adiar uma cirurgia, impedir o acesso ao histórico clínico, atrasar um diagnóstico ou comprometer a resposta a uma emergência. Quando um sistema de saúde se torna digital, a sua resiliência tecnológica passa a fazer parte da própria continuidade dos cuidados.
 
A gestão do risco tecnológico não deve surgir apenas depois de um incidente. Deve fazer parte do desenho, da implementação e da governação dos sistemas desde o início.
 
Ocontexto africano exige uma abordagem própria
 
Grande parte das boas práticas internacionais de continuidade de negócio foi desenvolvida em sistemas de saúde com elevada maturidade digital, infra-estruturas redundantes, equipas especializadas e capacidade financeira para suportar arquitecturas complexas.
 
África vive uma realidade diferente. Em muitos países, a digitalização dos serviços de saúde e a construção da sua capacidade de resiliência estão a acontecer em simultâneo. Persistem desafios relacionados com energia, conectividade, disponibilidade de competências especializadas, interoperabilidade dos sistemas e dados de saúde, dependência de fornecedores tecnológicos e capacidade de investimento.
 
Em vez de replicar modelos de outros mercados, África pode adaptar as melhores práticas internacionais às suas necessidades, criando soluções proporcionais aos seus riscos, recursos e nível de maturidade.
 
Resiliência não significa necessariamente ter mais tecnologia. Significa saber onde estão os riscos, definir prioridades e garantir capacidade de resposta. 
 
Continuidade de negócio não é apenas tecnologia
 
Backups, centros de dados, servidores redundantes ou sistemas de recuperação são fundamentais, mas não são suficientes.
 
A continuidade começa pela identificação dos serviços críticos e do impacto de uma interrupção. Num hospital, é necessário saber quais os sistemas que não podem parar, quanto tempo podem permanecer indisponíveis e que alternativas existem.
 
A gestão da continuidade deve estar ligada à realidade operacional e clínica da instituição, garantindo não apenas a recuperação dos sistemas, mas a continuidade dos serviços essenciais.
 
Quando a continuidade é testada
 
Um plano de continuidade de negócio só demonstra o seu valor quando surge uma situação real de crise. É nesse momento que se percebe se existem redundâncias adequadas, se os dados podem ser recuperados, se os sistemas críticos podem voltar a operar e, sobretudo, se as equipas sabem como agir.
 
Por isso, é necessário conhecer os processos críticos, definir prioridades, estabelecer responsabilidades e testar diferentes cenários de interrupção.
 
A resposta deve ser proporcional ao risco e orientada para a preservação dos serviços essenciais.É também aqui que as pessoas são decisivas. Sistemas sofisticados podem falhar, mas equipas preparadas conseguem adaptar-se. Formação, procedimentos alternativos e exercícios de simulação devem fazer parte da cultura das instituições de saúde.
 
Angola: uma oportunidade para construir resiliência desde o início
 
Angola está a avançar na digitalização dos seus serviços de saúde, através da implementação de Sistemas de Gestão Hospitalar, processos clínicos electrónicos, integração de sistemas e novas infra-estruturas tecnológicas.
 
O desafio é garantir que esta evolução é acompanhada pela maturidade necessária para gerir os riscos da digitalização, assegurando disponibilidade, segurança, recuperação e capacidade de resposta.
 
Esta é uma oportunidade para Angola. Em vez de primeiro digitalizar e só depois corrigir vulnerabilidades, podemos incorporar resiliência, segurança e continuidade desde o início.Isso significa pensar não apenas em como implementar um sistema, mas também na disponibilidade do sistema. 
 
A próxima década será marcada por uma utilização crescente de Inteligência Artificial, telemedicina, interoperabilidade, dispositivos médicos conectados e análise avançada de dados.
 
Estas tecnologias podem transformar a prestação de cuidados de saúde, mas também aumentar a superfície de risco e a dependência dos sistemas digitais.
 
O objectivo é conhecer os riscos, reduzir a sua probabilidade, limitar o seu impacto e garantir capacidade de recuperação.
 
Para Angola e África, este é um momento importante para aprender com as boas práticas internacionais e adaptá-las à nossa realidade.
 
A maturidade digital de um sistema de saúde não estará apenas naquilo que consegue fazer quando tudo funciona, mas naquilo que consegue preservar quando algo deixa de funcionar.
 
Porque, na saúde, resiliência não é apenas recuperar sistemas. É garantir que, mesmo perante uma crise, o sistema continua a cuidar das pessoas. 

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