Os dois principais pontos de troca de tráfego de Internet (IXPs) de Angola, Angonix e Angola IXP, registaram picos sem precedentes no final do mês de Julho, alcançando volumes combinados próximos dos 70 Gbps.
A análise feita por Darwin Costa, fundador do AOPF (Angolan Peering Forum) e coordenador do AONOG (Angolan Network Operators Group), destacou que este crescimento reflete a expansão da conectividade no país e a maior dependência de serviços digitais. O Angonix, explica, atingiu 59,5 Gbps no dia 29 de Julho, enquanto o Angola IXP ultrapassou 11 Gbps no mesmo período, demonstrando evolução na interconexão local.

Figura 1 – Pico de tráfego diário no Angonix (29/07/2025), atingindo 55 Gbps.
O especialista explicou que estes números mostram melhoria na eficiência da rede, com redução da necessidade de tráfego internacional. O aumento coincidiu com manifestações em várias cidades, levando a maior uso de plataformas digitais para trabalho remoto e acesso a informações.

Figura 2 – Tráfego no Angola IXP em 28/07/2025, com pico superior a 11.01 Gbps.
Na sua análise, a infra-estrutura mostrou resiliência durante este pico de consumo, embora tenha sido testada no 30 de Julho por uma falha energética em Luanda. Costa enfatizou que incidentes como este evidenciam a necessidade de investir em redundância energética para manter a operação contínua dos Datacenters que por sua vez hospedam os IXPs.
Apesar dos recordes alcançados, a capacidade de portas instaladas está longe do limite. O Angonix suporta até ~300Gbps e o Angola IXP mais de ~120Gbps, indicando espaço para crescimento sustentado nos próximos anos, conforme explicou o especialista.

Figura 5 – Crescimento do pico de tráfego (Gbps) nos dois IXPs de Angola.
Costa destacou o papel fundamental de empresas globais como Microsoft e Meta, presentes nestes IXPs, que facilitam a entrega local de conteúdos procurados pelos utilizadores angolanos.
“Esta dinâmica melhora a velocidade para utilizadores, reduz custos operacionais e fortalece a soberania digital angolana”, disse.
Com base nas tendências actuais, o analista prevê que o tráfego agregado nos IXPs nacionais ultrapasse 80 Gbps até meados de 2026.
Para manter esta trajectória, Costa alerta para a necessidade de investimentos contínuos em infra-estrutura, energia, descentralização operacionais e políticas de digitalização, referindo que estes elementos são cruciais para sustentar o crescimento e garantir a estabilidade da rede nacional.




