O financiamento de capital de risco cedido às startups de tecnologia africanas reduziu consideravelmente entre os anos 2022 e 2024. Em 2024, o número de startups financiadas diminuiu para 390, aponta o mais recente relatório da International Finance Corporation (IFC) intitulado “Capital de risco e a ascensão das startups de tecnologia em África”.
O número representa a continuação de uma tendência negativa iniciada após o marco verificado em 2022, quando financiamento de capital de risco alcançou 781 startups africanas de tecnologia, o maior número de projectos beneficiados desde 2014.
Após este apogeu, o financiamento de capital de risco fornecido às startups de tecnologia africanas reduziu para 532, em 2023, e para 390 em 2024. Embora o desempenho verificado em 2024 não seja o mais baixo dos últimos 11 anos, é de facto o mais baixo desde 2020.

Créditos: IFC
Em termos de representatividade geográfica, importa frisar que maior parte destes financiamentos foi para pólos de startups no Cairo (Egipto), Nairóbi (Quénia), Lagos (Nigéria), Cidade do Cabo e Joanesburgo (África do Sul). Há também novos pólos a surgir em Acra (Gana), Kigali (Ruanda), Adis Abeba (Etiópia) e Dacar (Senegal).
Valor médio dos negócios mantém-se em alta
Apesar da redução no financiamento, o relatório nota que o valor médio dos negócios continua a subir, o que sugere que o financiamento está a ser direccionado para startups de alta qualidade.
A título comparativo, o valor médio dos negócios cifrou-se em 0,5 milhão de dólares em 2020, em 2021 subiu para 1,2 milhão, reduziu para 1,1 milhão em 2022, voltou para 1,2 milhão em 2023 e em 2024 saltou para 1,8 milhão de dólares.

Créditos: IFC
De acordo como relatório, a popularização dos telemóveis em África foi o responsável pelo crescimento do valor médio dos negócios. Igualmente, os telemóveis abriram caminho para as plataformas de dinheiro móvel, que permitiam às pessoas realizar transacções básicas por telefone sem abrir uma conta bancária. E a razão deste salto no mobiley money é simples:
“Elas eram mais rápidas, baratas e fáceis de usar do que os bancos comerciais, que muitas vezes não tinham agências suficientes para atender os seus clientes adequadamente. No Quénia, pioneiro em dinheiro móvel, mais de dois terços dos adultos tinham contas de dinheiro móvel em 2021, mas apenas metade tinha contas numa instituição financeira formal“, explica o documento.
O relatório da International Finance Corporation enfatiza que o crescimento de startups de tecnologia na África tem o potencial de permitir maior difusão tecnológica e ganhos de produtividade em diversos sectores para além do digital, tais como o Agronegócio, Saúde, Educação e Comércio.




