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A organização global Women in Tech, dedicada à promoção da integração de mais mulheres no sector tecnológico, está agora oficialmente estabelecida em Angola através da sua filial Women in Tech Angola, que passa a ser liderada pela engenheira e actvista digital Jaqueline Ngulo.
Com a criação desta representação local, Angola passa a integrar a rede internacional da Women in Tech, composta por mais de 30 representações oficiais distribuídas por mais de 100 países, reforçando o compromisso de apoiar mulheres no acesso a oportunidades de formação, emprego e liderança na área da tecnologia.
Em declarações ao Portal de T.I, a recém-eleita directora da Women in Tech Angola, afirmou que a sua liderança vai se alinhar a missão global da organização, para criar um ecossistema mais inclusivo e dinâmico no sector tecnológico nacional.
Essa missão, referiu, passa por transformar a presença feminina no sector tecnológico através de programas de capacitação, iniciativas de mentoria e maior visibilidade para mulheres já destacadas no mercado.
Fazendo um diagnóstico ao contexto nacional, Jaqueline Ngulo apontou como desafios dessa missão a infra-estrutura tecnológica insuficiente fora de Luanda, os elevados custos de equipamentos e serviços de Internet e as actuais barreiras socioeconómicas.
A estas preocupações acrescentou também a necessidade de combater preconceitos de género no sector, anunciando a pretensão de implementar de programas em escolas, realização de palestras, divulgação de artigos, vídeos e aumentar a presença feminina em debates públicos.
“Defendemos que Angola não é só Luanda e esse capitulo (representação da Women in Tech) não terá fronteiras. Não iremos nos focar apenas nas formações, mas também no acesso a infra-estruturas, no combate às barreiras sócio-económicas e na mudança de mentalidades. As tecnologias não têm género”, declarou.
Outra prioridade, referiu, passa pela promoção de modelos de referência, através da partilha de histórias e conquistas de mulheres angolanas que já se afirmaram na área tecnológica, como forma de inspirar as novas gerações.
A nível institucional, a Women in Tech Angola prevê desenvolver programas de mentoria, bolsas de estudo, treinamentos e estágios em colaboração com universidades e empresas privadas. A organização pretende, igualmente, promover eventos de pitch e competições para startups lideradas por mulheres, atraindo investidores e apoiando ideias inovadoras.
“Temos muitas mulheres com ideias inovadores a espera de uma oportunidade para subir ao palco e brilhar. Daremos esse apoio e conforto atraindo investidores”, assegurou.
Com o governo, a intenção é colaborar em programas de formação nacional, enquanto, no sector privado, Jaqueline Ngulo propõe aposta na criação de políticas de diversidade e no financiamento de iniciativas que capacitem mulheres para carreiras tecnológicas.
A nível regional e internacional, a estratégia da Women in Tech Angola estará voltada ao reforço de parcerias estratégicas com organizações congéneres e aumento da presença de Angola em conferências e cimeiras globais de modo a dar maior visibilidade a perfis de sucesso de mulheres angolanas e projectar o talento nacional a nível mundial.
Fundada em 2018 por Ayumi Moore Aoki, a Women in Tech tem a sua sede em Paris, França. A iniciativa funciona como uma organização sem fins lucrativos dedicada a reduzir a lacuna de género na área tecnológica por via do empoderamento das mulheres na Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM).




