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A economia mundial sofreu um impacto aproximado de 19,7 mil milhões de dólares devido a apagões de Internet em 2025, um aumento de 156% em relação ao ano anterior, revela o relatório anual “Cost of Internet Shutdowns 2025”, publicado pela Top10VPN. A investigação analisa 212 interrupções intencionais de conectividade em 28 países, que totalizaram mais de 120 mil horas de cortes e restrições de acesso à Internet.
De acordo com os dados, os apagões incluíram blackouts completos, bloqueios de redes sociais e severa limitação de velocidade, afectando cerca de 798 milhões de pessoas em todo o mundo. A maior parte dos prejuízos económicos foi registada na Europa, impulsionada pela estratégia de censura na Rússia, que por si só respondeu por mais da metade do custo total estimado pelo estudo.
África Subsaariana
Na África Subsaariana, os apagões também tiveram um impacto económico significativo. Segundo a análise específica para a região, os cortes deliberados de Internet custaram cerca de 1,11 mil milhões de dólares em 2025, apesar de se ter registado uma queda de 29% no custo económico total face a 2024.
Essas interrupções estenderam-se por mais de 24.276 horas de desactivação intencional de serviços, afectando cerca de 116,1 milhões de utilizadores em vários países. A região registou o maior número de países a restringir intencionalmente o acesso à Internet no mundo, nove ao todo, ultrapassando a Ásia neste indicador.
Os países mais afectados em África foram Tanzânia, que perdeu cerca de 889,8 milhões de dólares após restrições de conectividade que duraram mais de 5 400 horas e afectaram 20,6 milhões de utilizadores, e a RDC, com perdas estimadas em 67,2 milhões de dólares durante um apagão de 72 horas que interrompeu o serviço para quase 35 milhões de pessoas.
Outros países com custos significativos incluem o Sudão, que perdeu cerca de 66,6 milhões de dólares devido a cortes prolongados em 2025, o Sudão do Sul, com perdas calculadas em cerca de 8,8 milhões de dólares associadas a restrições intensivas que duraram mais de 2.160 horas, e os Camarões, com 40,5 milhões de perdas estimadas durante mais de 54 horas, penalizando 12,6 milhões de utilizadores.
Entre os falantes de português, estão a Guiné-Bissau, com perdas estimadas em 10,1 milhões de dólares durante mais de 854 horas de bloqueio que afectou 0,7 milhões de habitantes, e a Guiné Equatorial, com perdas de 1,1 milhão de dólares durante mais de 8.760 horas de bloqueio que afectou 0,03 milhões de utilizadores.
Bloqueio de redes sociais
Entre as plataformas mais bloqueadas em 2025, destaca-se o serviço X (antigo Twitter), com mais de 18.354 horas de restrições, seguido pelo Telegram (16.990 horas) e TikTok (14.646 horas).
O relatório sublinha ainda que a duração total dos apagões pelo mundo aumentou mais de 70% face a 2024, com 55.700 horas de blackouts completos, 54.026 horas de bloqueios de redes sociais e 12.712 horas de severa limitação de velocidade que em muitos casos tornou a conectividade praticamente inexistente.
No geral, houve 47% mais horas de apagões totais da Internet do que em 2024 e 66% mais horas de desactivação das redes sociais.
Economias mais afectadas
No contexto global, os países com maiores perdas económicas continuaram a ser Rússia (11,9 mil milhões de dólares), Venezuela (1,91 mil milhões) e Myanmar (1,89 mil milhões), com uma combinação de longas interrupções e grandes populações de utilizadores a amplificar perdas para empresas, serviços digitais e utilizadores individuais.
O estudo alerta para o facto de que estas interrupções deixam de ser apenas reações a protestos ou eventos específicos, passando a integrar estratégias mais amplas de controlo de informação. Em 2025, medidas apresentadas sob o pretexto de “controlo da informação” ultrapassaram pela primeira vez outras justificações tradicionais, como a segurança durante períodos eleitorais ou académicos.
Analistas sublinham que, além do impacto económico, estes apagões interferem nos direitos digitais fundamentais, afectando comunicações, acesso a serviços essenciais e a participação plena na economia digital global. O relatório alerta que 2026 poderá ver uma intensificação destas práticas, com tácticas ainda mais sofisticadas de desligamento e limitação do tráfego online.




