Por: Darwin Costa - Regional Director, Brazil & South America DE-CIX
Em um voo de 12 horas, eu geralmente gosto de ler, trabalhar um pouco e fazer algumas medições na Internet. Na minha última viagem de São Paulo para Paris, no dia 10 de maio de 2026, tive a oportunidade de testar o novo serviço de Wi-Fi anunciado pela www.airfrance.com (ver imagem abaixo).

No início da minha viagem, eu sinceramente achei que seria apenas mais um serviço padrão, como em qualquer outra companhia aérea. Mas, para minha surpresa, depois de fazer login e preencher os meus dados, tive internet durante todo o voo claro, com alguns momentos ao longo do trajeto em que a conexão caiu por um breve período.
No geral, eu daria uma nota 9/10. Porquê?
A parceria entre constelações de satélites LEO, IXPs e companhias aéreas fez algo que antes parecia impossível funcionar: estar online quase como se você estivesse em casa. Veja a imagem abaixo com os resultados iniciais do Speedtest.

A SpaceX/Starlink utiliza o ASN (Número de sistema autônomo) 14593, que pode ser consultado no PeeringDB: https://www.peeringdb.com/net/18747 . Esse mesmo ASN está conectado a múltiplos IXPs (Pontos de troca de tráfego), ajudando a otimizar o roteamento em escala global. Os IXPs são uma parte fundamental da internet, embora a maioria dos usuários finais não tenha conhecimento disso.
Durante a minha viagem, utilizei dois exemplos para ilustrar os benefícios que os passageiros podem experimentar ao voar com a Air France.
Primeiro caso de uso:
Programei o meu alarme para tocar quando o avião estivesse próximo de Fortaleza e Lisboa, para que eu pudesse verificar para onde determinados conteúdos estavam a ser roteado. Abaixo estão alguns dos resultados:
Enquanto o avião saía do Brasil, próximo a Fortaleza, realizei alguns traceroutes. Os resultados mostraram como os IXPs desempenham um papel fundamental:

A imagem acima mostra apenas 6 hops a uma altitude média de cruzeiro entre os 33.000 e os 39.000 pés, o que é impressionante nos dias de hoje. O conteúdo está a ser servido a partir de um IXP o IX.br em Fortaleza: https://ix.br/trafego/agregado/ce.

Segundo caso de uso:
Quando o segundo alarme tocou, fiz o mesmo traceroute para o 1.1.1.1 a partir do www.cloudflare.com com os seguintes resultados:

Com mais um salto adicional, o mesmo conteúdo estava a ser servido a partir do DE- CIX Madrid: https://www.de-cix.net/en/locations/madrid.

Alguns pontos interessantes a destacar dos dados acima:
As parcerias entre constelações de satélites LEO, IXPs e companhias aéreas vieram para ficar e os passageiros vão desfrutar da Internet como nunca. Os resultados em ambos os casos mostraram latências inferiores a 25ms, o que no passado muito provavelmente não teria sido possível alcançar.
Embora os IXPs (Pontos de troca de tráfego) sejam praticamente invisíveis para os utilizadores finais, desempenham um papel fundamental em manter o tráfego local dentro de redes locais e, neste caso, em fornecer conectividade aos passageiros do voo AF453 de GRU para CDG.
No meu segundo caso de uso, esperava que o conteúdo fosse servido a partir de Lisboa, mas, infelizmente, foi encaminhado através de Madrid. Isto demonstra que a otimização de tráfego exige tempo, planeamento e execução para proporcionar uma melhor experiência ao utilizador, com a menor latência possível.
O efeito wauw:
Avião a 39.000 pés, rede em movimento, CGNAT, roaming via satélite, handovers contínuos e ainda assim ~25 ms de latência até à Cloudflare.
Tecnicamente falando, isto é um pouco surreal. Estarei a esquecer-me de alguma coisa?Sim, devia ter feito medições a meio da viagem… esqueci-me de definir um alarme. Mais novidades em breve!
Por fim, os meus parabéns à SpaceX/Starlink, Airfrance, DE-CIX, IX.BR, Cloudflare, Speedtest, PeeringDB e outros por manterem a Internet a funcionar como deve ser.
A verdadeira definição do nosso slogan: “tornamos a interligação simples em qualquer lugar!”




