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Foi oficialmente lançada, em Adis Abeba, Etiópia, a Instalação Africana de Aplicação de Satélites Meteorológicos (AMSAF, na sigla em inglês), concebida para permitir que os serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais em todo o continente melhorem as suas capacidades de previsão imediata utilizando dados de satélite de última geração.
De acordo com a Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos (EUMETSAT), parceira do projecto, a iniciativa prevê o estabelecimento de centros regionais de previsão imediata em toda a África, atendendo as regiões Ocidental, Oriental, Central e Austral.
Cada centro funcionará com infra-estrutura de processamento local ou em nuvem e contará com programas de capacitação técnica dirigidos a meteorologistas e técnicos nacionais, de modo a reduzir a dependência de processamento externo e aumentar a autonomia operacional dos países africanos.
Como parte desse esforço, e em reconhecimento da importância dos dados MTG para o continente africano, a EUMETSAT vai ampliar o acesso a esses dados em toda a África este ano, aumentando a largura de banda de dados no seu sistema operacional de distribuição EUMETCast-Africa.
Segundo a instituição, essa expansão permitirá que a AMSAF e os meteorologistas em cada país africano se beneficiem de uma maior disponibilidade de dados.
“O AMSAF representa um passo importante para apoiar os países africanos a assumirem o controle total de suas capacidades de previsão do tempo. Ao promover o desenvolvimento de produtos de satélite adaptados localmente, estamos ajudando a fortalecer a resiliência a eventos climáticos extremos e a apoiar o desenvolvimento sustentável em todo o continente”, disse Phil Evans, director geral da EUMETSAT.
O lançamento da AMSAF ocorre num contexto de crescente vulnerabilidade climática no continente africano. Entre Setembro e Outubro de 2024, chuvas torrenciais provocaram inundações devastadoras na África Ocidental e Central, causando mais de 1.500 mortos em países como a Nigéria, Níger, Chade, Mali, Camarões e Senegal.
Em Angola, os efeitos dos fenómenos climáticos extremos também são presentes, com a província de Benguela a registar em Abril último fortes chuvas que resultaram no colapso do dique do rio Cavaco, provocando inundações severas que afectaram 8.518 famílias. Entre as perdas, foram contabilizados 19 mortos e 31 desaparecidos.
Neste contexto, o reforço das capacidades africanas de monitorização meteorológica através de dados de satélite é visto como essencial para melhorar sistemas de alerta precoce, antecipar desastres naturais e reduzir perdas humanas e económicas.




