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A inteligência artificial (IA) deverá transformar profundamente a forma como as organizações enfrentam as ameaças cibernéticas nos próximos anos, mas a sua adopção também introduz novos riscos que exigem mudanças na governação, na gestão de identidades digitais e na protecção dos dados, conclui o relatório Cybersecurity Considerations 2026, divulgado pela KPMG.
De acordo com o estudo, intitulado “Cybersecurity Considerations 2026″, a IA já reforça a capacidade das equipas de cibersegurança para detectar ataques, analisar grandes volumes de informação e responder a incidentes de forma mais rápida, mas alerta que a mesma tecnologia também está a aumentar a sofisticação dos cibercriminosos, tornando indispensável a adopção de mecanismos de supervisão contínua e de segurança incorporada desde a fase de desenvolvimento dos sistemas.
A confiança continua, entretanto, a ser um dos maiores desafios, uma vez que um estudo global da KPMG e da Universidade de Melbourne revela que 54% das cerca de 50 mil pessoas inquiridas em 47 países afirmam desconfiar da IA, realidade que leva a consultora a defender modelos de governação mais transparentes e maior supervisão humana sobre os sistemas inteligentes.
Outro dos alertas centra-se no crescimento das identidades não humanas, como agentes de IA, contas de serviço e máquinas, que já superam as identidades humanas numa proporção superior a 80 para 1, situação que dificulta o controlo dos acessos e amplia a superfície de ataque, sobretudo em ambientes híbridos e na computação em nuvem.
O relatório acrescenta que 59% das empresas sofreram uma violação de dados causada por terceiros nos últimos doze meses e que 61% das organizações norte-americanas ainda consideram indispensável manter supervisão humana sobre agentes autónomos de IA.
A KPMG identifica ainda a computação quântica como um dos maiores desafios para a segurança digital da próxima década, alertando que 41% das organizações receiam estar atrasadas na preparação para a adopção da criptografia pós-quântica, tecnologia considerada essencial para proteger informação sensível quando os computadores quânticos atingirem maturidade suficiente para comprometer os actuais sistemas de encriptação.
Perante este cenário, a consultora defende que as organizações adoptem uma estratégia de cibersegurança assente na IA responsável, na arquitectura de confiança zero, na protecção das identidades digitais e na integração da segurança em todos os processos de transformação digital, considerando que estas serão algumas das prioridades estratégicas para o ano 2026.



