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As empresas estão a acelerar os processos de transformação empresarial, mas o aumento das iniciativas ainda não se traduz num impacto proporcional no desempenho, com apenas 14% das organizações a considerarem estar entre as que apresentam melhor desempenho face aos seus pares, revela um estudo global da KPMG.
O estudo Transforming the Enterprise, realizado junto de 1.750 CEOs e responsáveis pela transformação empresarial em 20 países de África, Américas, Europa e Médio Oriente, mostra que cada organização gere, em média, 3,5 programas de transformação em simultâneo, cerca de 94% têm pelo menos duas iniciativas em curso, enquanto 54% desenvolvem quatro ou mais ao mesmo tempo.
Mais transformação, mas impacto mantém-se limitado

A transformação digital é a iniciativa mais frequente, estando em curso em 70% das organizações, seguida pela transformação funcional, com 47%, e pela transformação da gestão do risco, com 32%.
Apesar do elevado número de iniciativas, menos de um terço das organizações afirma conseguir gerar resultados relevantes à escala de toda a empresa, segundo o estudo. A KPMG aponta que o desafio passa cada vez mais pela capacidade de coordenar programas, estabelecer prioridades comuns e alinhar investimentos em tecnologia, pessoas, processos e modelos operacionais.
Para melhorar a execução, o estudo identifica três prioridades: reforçar as bases tecnológicas, os dados, a confiança e a governação; redesenhar o trabalho e os modelos operativos para integrar pessoas, inteligência artificial e automação; e tratar a empresa como um sistema interligado e em permanente evolução.
IA aumenta produtividade, mas ainda não transforma empresas

A inteligência artificial (IA) já é utilizada em diferentes áreas, mas os ganhos continuam concentrados sobretudo em melhorias operacionais e funções específicas. Embora 48% das organizações registem ganhos incrementais de produtividade associados à IA, apenas 11% reportam um impacto substancial em toda a organização.
Segundo o estudo, a produtividade é o principal indicador utilizado para medir o valor gerado pela IA, referido por 39% das organizações, seguida pela redução do tempo dedicado a tarefas através da automação, com 36%, e pela diminuição dos custos operacionais, com 33%.
Os números da KPMG mostram que a utilização da tecnologia é mais elevada nas áreas de Tecnologia e Sistemas de Informação, com 59%, seguida de Marketing e Vendas, com 43%, e Operações, com 42%. Em Risco e Compliance, Finanças e Recursos Humanos, os níveis de utilização são de 37%, 33% e 31%, respectivamente.
Todavia, apesar da expansão da IA, apenas 19% das organizações consideram que os seus colaboradores estão altamente preparados para trabalhar com a tecnologia, enquanto 49% avaliam o nível de preparação como moderado.
Risco da IA ainda pouco integrado

A gestão dos riscos associados à IA continua a ser outro dos desafios identificados pelo estudo, com apenas 24% das organizações a integrarem de forma proactiva esses riscos na estratégia e ao longo do ciclo de vida da tecnologia.
Outros 41% dispõem de modelos definidos e coordenados, embora ainda não estejam totalmente integrados, enquanto 25% mantêm uma abordagem sobretudo reactiva e organizada por áreas isoladas. Em 10% dos casos considerados no estudo, a gestão do risco permanece descentralizada.
O estudo indica ainda que 57% das organizações já consideram a confiança um diferenciador estratégico ou uma fonte central de vantagem competitiva, mas apenas 28% relacionam directamente os mecanismos de confiança, governação e gestão do risco da IA com resultados operacionais ou financeiros concretos.
“A transformação empresarial mede-se também pela capacidade de articular e converter em resultados concretos as iniciativas e os projectos de transformação. Quando não existe uma execução planeada e coordenada, a fragmentação pode gerar ineficiências, custos adicionais e atrasos na adaptação. A inteligência artificial reforça esta exigência, pois o seu valor pode depender da conjugação entre dados de qualidade, modelos operacionais, competências e confiança”, afirma o Head of Advisory da KPMG Angola, Carlos Borges.
Segundo o responsável, as organizações que conseguirem integrar estes elementos poderão estar melhor posicionadas para transformar o investimento em impacto efectivo para o negócio e destacar-se melhor da concorrência.
Em Angola, Carlos Borges defende que o desafio passa por articular as diferentes iniciativas de transformação e convertê-las em resultados concretos, alertando que a fragmentação pode gerar ineficiências, custos adicionais e atrasos na adaptação das empresas.



