Banner-para-so-site-COMPLLEXUS

Trump diz não à regulação da IA, China desconfia e Europa mantém leis

Trump-rejeita-regulacao-da-IA-China-desconfia-e-Europa-mantem-leis
O Presidente norte-americano está em contra-mão relactivamente às preocupações expressas por responsáveis das principais empresas de inteligência artificial (IA) sobre os possíveis riscos desta tecnologia para a humanidade.
 
Nesta segunda-feira (14), Donald Trump minimizou as preocupações apresentadas pelos CEO da Anthropic, OpenAI e xAI, afirmando que os EUA já possuem mecanismos de protecção para regulamentar e processar empresas de IA.
 
“O único controlo ou ‘salvaguarda’ de que a IA precisa é de um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (com QI elevado!), e os EUA têm isso de sobra!”, escreveu Trump na Truth Social, acrescentando que a China se beneficiaria das dúvidas que estão a ser lançadas sobre o desenvolvimento da IA.
 
O que aconteceu?
 
A declaração surge após o antigo investigador da Anthropic, Jacob Coxon, ter publicado na última semana várias mensagens no X a alertar para os riscos da IA para a humanidade, depois de se demitir da empresa devido ao que classificou como riscos existênciais.
 
“Acredito que, se não diminuirmos o ritmo actual de progresso, há uma grande chance de todos morrermos em um futuro próximo”, afirmou Jacob Coxon, em entrevista à BBC.
 
Nas suas publicações, o pesquisador britânico, de 27 anos, acusa a Anthropic e a OpenAI de não estarem a agir de forma responsável, ao “correrem directamente para uma super-inteligência capaz de se melhorar a si própria”, mas colocando em risco a humanidade.
 

Na sequência, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, escreveu num ensaio publicado no sábado (12) que o Governo dos EUA deveria criar regulamentações que exigissem auditorias independentes das ferramentas de IA mais avançadas, conhecidas como modelos de “fronteira”.
 
O objectivo é desacelerar o ritmo de desenvolvimento da IA, permitindo mais tempo para a gestão dos seus riscos, sem interromper o desenvolvimento da tecnologia, uma ideia apoiada pelos homólogos da OpenAI, Sam Altman, e da xAI, Elon Musk, num raro consenso entre os dois últimos.
 
O Presidente dos EUA, no entanto, considera que o apelo da indústria de IA por regulamentação é uma “farsa”. Donald Trump disse estar mais preocupado com a possibilidade de o país não vencer a China na corrida pela IA, tendo enfatizado que “se não ganharmos na IA, vamos ficar numa posição muito má”.

Numa declaração separada, também nesta segunda-feira (14), o vice-presidente JD Vance mostrou-se igualmente céptico em relação aos executivos de IA.
 
“Acho um pouco estranho o facto de tantas empresas de tecnologia de IA de ponta virem até ao Governo e implorarem para que ele as regule”, disse.
 
O que se diz no Extremo Oriente?
 
Na China, a súbita mudança para uma auto-limitação foi recebida com cepticismo. Alguns pesquisadores chineses argumentaram que uma desaceleração generalizada protege desproporcionalmente as empresas americanas já estabelecidas, enquanto exclui as entrantes tardias do mercado.
 
Num artigo publicado no X, o pesquisador da equipa Qwen, do Alibaba Group Holding, Zhang Xuanming, disse: “Quem já possui recursos pode se dar ao luxo de uma pausa. Quem ainda está construindo sua carreira não pode”.
 

O engenheiro da MiniMax, empresa de IA sediada em Xangai, escreveu: “Ontem, a missão era a Inteligência Artificial Geral (IAG). Hoje, nos dizem para ir mais devagar. Por que vocês sempre têm o direito de definir as regras do jogo e mudá-las?”
 

A nível do Estado, a China mantém a IA como um domínio fundamental da sua segurança nacional, ideia que foi reforçada num artigo publicado neste domingo no WeChat pela Administração do Ciberespaço.
 
No artigo, o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, classifica a IA como uma arena primordial para a rivalidade entre as superpotências, defendendo, por isso, estruturas de segurança robustas e governação global para lidar com as crescentes ameaças.
 
Comentando os apelos dos empresários norte-americanos, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, afirmou que a IA é uma tecnologia essencial para o bem-estar de toda a humanidade, pelo que todas as partes devem promover conjuntamente o seu desenvolvimento aberto e inclusivo para o bem de todos.
 
“O medo, o confronto e a competição desleal apenas prejudicarão os esforços para uma governação global sólida da IA, o que não beneficia ninguém”, disse, citado pelo periódico estatal Global Times.
 
Europa não recua e reafirma compromisso com a regulação
 
O assunto também foi abordado pela vice-presidente da Comissão Europeia, Teresa Ribera, que defendeu nesta segunda-feira que a União Europeia tem de manter as regras que definiu para as grandes empresas tecnológicas e a IA, mesmo que causem conflitos com outros países.
 
“A Europa deve manter as suas regras, adoptadas de acordo com a nossa soberania, os nossos valores e os nossos princípios”, afirmou, quando questionada, numa conferência em Madrid, sobre se a UE devia alterar a regulamentação relacionada com a tecnologia para evitar conflitos com os EUA.
 
Sobre os pontos de fricção que tal posição deverá causar, Teresa Ribera defende o diálogo e a cooperação com outros países e blocos de países, mas nega qualquer concessão que contrarie as regras do Bloco.
 
“Isso não significa ceder porque a outro lhe convém mais” nem implica renunciar às regras da Europa”, declarou.

Partilhar artigo:

Versao3 - Cópia

Somos um portal de notícias, voltado às tecnologias de informação e inovação tecnológica. Informamos com Rigor, Objectividade e Imparcialidade. Primamos pela qualidade, oferecendo aos nossos leitores, a inclusão tecnológica e a literacia digital

+(244) 930747817

info@pti.ao | redaccao@pti.ao

Mais Lidas

Últimos Artigos

Desenvolvido Por SP Media