As organizações africanas estão a perder a corrida contra o cibercrime potenciado por Inteligência Artificial (IA), mesmo com gastos recorde em segurança, alertam especialistas da Kaspersky, Mimecast, Check Point e Galix.
De acordo com os especialistas, que citaram o relatório da INTERPOL, a despesa em cibersegurança no continente atingiu 15,3 mil milhões de dólares em 2025. Apesar desse esforço, os danos económicos directos rondam os 5 mil milhões, muito acima dos 484 milhões oficialmente reportados, e a IA esteve associada a mais de metade dos casos registados.
O dinheiro investido, porém, não se tem traduzido em maior rapidez de resposta. Os especialistas referem que as organizações africanas demoram em média 18 dias a detectar e conter uma violação, contra 12 dias a nível mundial. Na África do Sul, por exemplo, 85% das pequenas e médias empresas reforçaram os orçamentos de segurança, mas 78% sofreram pelo menos um incidente no último ano.
Nesse intervalo de 18 dias, os atacantes ganham vantagem, e a porta de entrada continua a ser a mesma. O e-mail mantém-se como principal via de ataque, com o phishing a representar 77% das ameaças detectadas a nível mundial, de acordo com a Mimecast.
Para os especialistas, estes números revelam que o problema é mais de prática do que de tecnologia. Routers sem atualizações, VPN vulneráveis e acessos que ninguém revê deixam falhas conhecidas à vista de todos. Por isso, recomendam trocar as auditorias periódicas de conformidade por uma resiliência operacional contínua.



