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Criptomoedas: recorde os maiores roubos da história desde 2011

Criptomoedas: recorde os maiores roubos de activos da história desde 2014
Desde 2011, várias correctoras de criptomoedas foram alvo de ataques cibernéticos que resultaram em perdas avaliadas em milhares, milhões e até milhares de milhões de dólares.
 
O caso mais recente é o da Binance, que confirmou hoje o roubo de 6 mil milhões de dólares como resultado de um ataque cibernético que, segundo a correctora, terá envolvido o computador de um engenheiro DevOps, por via do qual os hackers conseguiram movimentar saques não autorizados.
 

Ataque à Bybit
 
O caso da Binance traduz-se já no maior roubo de criptmoedas de sempre, superando aquele que, até então, era tido como o caso mais incomum neste sector: o roubo de 1,5 mil milhões de dólares da correctora Bytit, em Fevereiro de 2025, como reportado pelo Portal de T.I.
 
À data, foi revelado que os fundos da Bybit foram retirados de uma “carteira fria” (carteira digital sem ligação à Internet) que era utilizada para armazenar criptomoedas Ethereum.
 
Ataque à rede Ronin
 
Em Março de 2022, a rede Ronin, que permite a transferência de criptomoedas entre diferentes blockchains, perdeu 540 milhões de dólares provenientes de um projecto blockchain ligado ao jogo online Axie Infinity.
 
Ao todo, como reportado pelo Portal de T.I à data, os hackers conseguiram roubar cerca de 173.600 em Etherem e 25,5 milhões em USD Coin.
 
O caso Wormhole
 
Em Fevereiro de 2022, o Wormhole, um site de Finanças Descentralizadas (DeFi), perdeu  320 milhões em Ethereum, resultante de uma acção cibernética coordenada por hackers.
 
Poly Network e os fundos devolvidos
 
Em Agosto de 2021, a rede Poly, plataforma que facilita transacções de activos ponto-a-ponto, perdeu 610 milhões de dólares, numa acção que expôs as vulnerabilidades no sector de DeFi. Contudo, pouco tempo depois do ataque, os hackers devolveram 600 milhões de dólares, quase a totalidade dos fundos roubados.
 
CoinCheck e os mais de 500 milhões perdidos
 
Em 2018, a correctora Coincheck, sediada em Tóquio, Japão, perdeu 530 milhões de dólares, como resultado de um ataque contra uma “carteiras quente” (carteira digital com ligação à Internet) da CoinCheck.
 
Na altura, a Agência Nacional de Inteligência sul-coreana, informou, sem precisar, que um grupo de hackers norte-coreano poderia ser o responsável pelo roubo. Esta acção soou os alarmes das correctoras e governos sobre ataques patrocinados por Estados-nações direccionados ao roubo de criptomoedas e sobre a necessidade de reforçar as medidas de segurança.
 
Mt. Gox e o primeiro caso notório de roubo de criptomoedas
 
Entre 2011 e 2014 a Mt. Gox, correctora também sediada em Tóquio, perdeu quase 500 milhões de dólares em bitcoin, roubados neste que é tido como um dos primeiros e mais notórios ataques cibernéticos ao sector de criptomoedas.
 
O ataque à Mt. Gox, que na altura controlava cerca de 80% do comércio mundial de bitcoins, teve um resultado avassalador, sobretudo por ser o primeiro deste nível de que se tinha registo. Após a revelação da violação de segurança, no início de 2014, a correctora declarou falência e deixou cerca de 24.000 clientes sem acesso aos seus fundos.
 
Lições com impacto no presente
 
O caso da Mt. Gox ensinou ao mercado de criptomoedas que manter fundos em correctoras centralizadas sem o controlo das chaves privadas é um risco extremo e reforçou o lema “not your keys, not your coins” (se as chaves não são suas, as moedas também não são). 
 
A ocorrência também impulsionou a utilização de “carteiras frias”, um modelo de armazenamento que continua a ser tido como o mais seguro, mesmo após o caso Bybit, em 2025. De modo geral, o colapso da Mt. Gox estimulou as correctoras a adoptarem padrões de segurança mais rigorosos, tais como sistemas multi-assinatura e provas de reserva, para comprovar a custódia real dos activos.
 
Acelerou também a regulação global do sector, estimulou o reforço da cooperação e suscitou o debate sobre a extrema lentidão e complexidade jurídica dos processos de recuperação judicial de criptomoedas em casos de roubo, mudanças que tiveram repercussão em casos mais recentes.
 
Um exemplo disso é o facto da Binance ter conseguido, em menos de 24 horas, recuperar metade dos fundos roubados, segundo anunciou, um feito que seria difícil de alcançar em 2014. Tal conquista ilustra a evolução de quase duas décadas na coordenação entre as autoridades e as empresas de criptomoedas, para desestimular as práticas de roubo de criptoactivos.

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