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Angola é o segundo país com maior adopção do IPv6 na SADC

Angola é o segundo país com maior adopção do IPv6 na SADC
Angola demonstra desde 2020 um crescimento significativo e liderança na adopção do IPv6, o mais recente protocolo que permite identificar e comunicar dispositivos na Internet, como computadores, telemóveis, servidores ou sensores.
 
A posição de Angola na região
 
Dados da Google observados pelo Portal de T.I mostram que a adopção do IPv6 no país encontra-se em 16,88%, um acréscimo de 3,08 pontos percentuais em relação aos 13,8% reportados em 2025.
 
Na região, Angola surge na segunda posição, atrás do Zimbábue que dispõe de 21,22% em nível de adopção de IPv6. A Zâmbia é o terceiro posicionado, com 7,31%, seguida do Madagáscar (7,01%), Botsuana (6,41%), República Democrática do Congo (5,62%), Moçambique (4,74%), Tanzânia (2,17%), África do Sul (2, 07%) e pela Namíbia, com 1,03%.
 
Angola é o segundo país com maior adopção do IPv6 na SADC

Créditos: Google

 
Esta actualização indica uma aceleração da adopção associada à modernização das redes e à necessidade de escalar os serviços de Internet em Angola, sobretudo após o ano 2020 em que o nível de adopção do IPv6 no país estava em 0%, conforme reportado aqui.
 
Avanço estratégico para o crescimento sustentável
 
Em entrevista ao Portal de T.I, o Presidente da Associação Angolana de Internet (AAI), Sílvio Almada, disse tratar-se de um avanço estratégico para assegurar a escalabilidade, interoperabilidade e a segurança das redes, preparando o país para o crescimento sustentado de dispositivos, aplicações e serviços digitais.
 
“O avanço na adopção do IPv6 representa, para a AAI, um aumento da maturidade técnica e da confiabilidade do sector de comunicações via Internet em Angola. Contribui para a superação das limitações do IPv4 e prepara o país para o crescimento sustentável da Internet e dos serviços digitais emergentes”, acrescentou.
 
Apesar do avanço gradual do IPv6, o seu antecessor, o IPv4, continua a ser o protocolo mais utilizado nas ligações à Internet, tanto a nível mundial, da SADC e especificamente de Angola, mantendo a maioria do tráfego dependente da infra-estrutura mais antiga. 
 
O números avançados reflectem a coexistência entre os dois protocolos, com operadores e fornecedores de serviços a recorrerem a configurações mistas, enquanto o IPv6 avança de forma progressiva como resposta às limitações de escala do IPv4 e às exigências das redes digitais modernas.
 
Políticas públicas que promovam o IPv6
 
Em Angola, segundo a Associação Angolana de Internet, a transição para o IPv6 é condicionada por desafios que incluem a modernização de equipamentos legados, a capacitação técnica das equipas, a gestão da interoperabilidade em ambientes dual-stack, o planeamento de endereçamento IPv6 e a segurança operacional.
 
Para superar estes constrangimentos, refere, os operadores têm adoptado uma abordagem gradual, com uso de dual-stack para manter os serviços IPv4 enquanto se avança para o IPv6, formação contínua das equipas técnicas, actualização de sistemas com suporte nativo a IPv6 e monitorização proactiva do tráfego com níveis de segurança equivalentes aos do IPv4.
 
A cooperação entre operadores e entidades do ecossistema é igualmente apontada por Sílvio Almada como uma medida relevante, por contribuir para a promoção da partilha de boas práticas e para o alinhamento técnico, em consonância com experiências bem-sucedidas observadas em África e noutros mercados emergentes.
 
A Associação considera, por isso, prioritária a adopção de políticas públicas que promovam o IPv6, com foco nas infra-estruturas críticas e nos serviços públicos digitais. Defende, igualmente, a definição regulamentar de metas progressivas e prazos claros para a sua implementação, a realização de auditorias técnicas e certificações de conformidade nos organismos da Administração Pública.
 
O órgão apela ainda à criação de incentivos técnicos, financeiros e regulatórios para operadores e prestadores de serviços, à capacitação contínua e a acções de sensibilização dirigidas a profissionais e organizações, bem como ao alinhamento com as boas práticas regionais e internacionais, em particular no contexto africano e de países emergentes.
 
Sobre o IPv4 e IPv6
 
O IPv4, em uso desde os primórdios da Internet, utiliza endereços de 32 bits, o que limita o número de endereços disponíveis e obriga os operadores a recorrer a soluções como a tradução de endereços (NAT) para ligar múltiplos utilizadores.
 
Já o IPv6 adopta endereços de 128 bits, permitindo um número praticamente ilimitado de dispositivos ligados directamente à rede, com menor complexidade técnica, melhor gestão do tráfego e maior preparação para serviços digitais avançados, como serviços de nuvem, Internet das Coisas e redes móveis de nova geração.
 
Embora o IPv4 continue a sustentar a maioria das ligações, o crescimento consistente do IPv6 revela uma necessidade técnica real de escalar a rede, reduzir limitações operacionais e preparar Angola para novos serviços digitais que vão desde a administração pública à economia digital.
 
A adopção do IPv6 surge, assim, não como uma opção tecnológica, mas como um passo estratégico para garantir a sustentabilidade e a modernização da Internet em Angola.

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