A Comunidade Feminina de Tecnologia de Informação de Angola, ou simplesmente CFTIA, é um projecto criado para promover e desenvolver acções que estimulem a inclusão digital feminina no sector tecnológico angolano, através da realização de diversas actividades, como mentorias, workshops e palestras.
O objectivo, segundo a CEO desta comunidade, Silayne Silva, é aumentar a presença feminina na tecnologia, encorajando mais mulheres e raparigas a ingressar no sector das tecnologias de informação e comunicação. Silayne Silva, com quem conversamos, explica quando surge e como tem vindo a se desenvolver este projecto.
Portal de T.I (PTI) – Conta-nos, como surge o projecto e em que passo está?
Silayne Silva (SS) – A Comunidade Feminina de Tecnologia de Informação de Angola (CFTIA) é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2018 por um grupo de mulheres angolanas, com o objectivo de promover a inclusão de mais mulheres nas áreas de tecnologia de informação em Angola.
O projecto surgiu da constatação de que a presença feminina na área de tecnologia da informação em Angola é bastante limitada, devido a diversos factores, como a falta de oportunidades, a falta de representatividade e a falta de incentivo. A CFTIA foi criada para preencher essa lacuna e para ajudar a construir uma comunidade forte e activa de mulheres na área de tecnologia de informação.
A CFTIA realiza diversas actividades para atingir os seus objectivos, como palestras, workshops, mentorias, cursos de capacitação e eventos de networking. A organização também promove a participação de mulheres em competições e desafios de tecnologia, incentivando a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades.
PTI – A CFTIA já conta com quantas mulheres envolvidas?
SS – Neste momento a comunidade já conta com 120 mulheres inscritas.
PTI – Quantas mulheres já beneficiaram de mentorias ou cursos de capacitação?
SS – 40 meninas beneficiaram de formações técnicas, tanto de Lógica de Programação, quanto de Networking Essentials. E todas as outras participaram dos programas de mentorias, workshops, bootcamps, e palestras realizadas pela comunidade.
PTI – Dentro da comunidade, quais são as formações mais requisitadas?
SS – Na CFTIA são requisitadas todas as formações de especialização em tecnologia de informação e telecomunicações, mas, no momento, foram realizadas apenas formações em “Redes de Computadores”, “CCNA”, “Networking Essentials”, “Lógica de Programação” e “Gestão de Projectos: Metodologia Ágil (Scrum e Kamban)”.
PTI – Qual é o critério que usam para seleccionarem as participantes que vão frequentar os cursos ou as mentorias?
SS – Normalmente, nós usamos os critérios de selecção baseados nas metas e objectivos do programa em questão. Por exemplo, no programa de mentoria: passa-se pelo processo de sensibilização e incentivo, no qual realizamos workshops de incentivo ao desenvolvimento de carreira e mostramos os perfis para cada carreira em T.I.
Depois passa-se para o processo de entrevista, onde as mentoras de carreira conversam com várias meninas para descobrir a sua vocação, habilidades e debilidades profissionais e, no final, juntas desenvolvem um plano de desenvolvimento individual para poder seguir.
Já no programa de formação, nos baseamos nos planos de desenvolvimento de cada um dos membros da CFTIA e, de acordo com a sua disponibilidade, agendamos os treinamentos.
PTI – Já têm algum testemunho concreto de mulheres que, a partir das vossas formações, mudaram o seu rumo profissional?
SS – Sim. Já temos vários testemunhos de meninas que, durante a sua formação, não haviam despertado a sua vocação para a escolha certa da carreira em TI, faziam tudo e não conseguiam ser especializadas e trabalhar com amor. Muitas não sabiam o que fazer, mas hoje, após a nossa mentoria de carreira, formações e capacitações, elas estão mais focadas e firmes nos seus propósitos.
PTI – Qual é o próximo nível que pretendem atingir com a comunidade?
SS – Fomentar a liderança feminina; estimular o empreendedorismo, o acesso à educação e recursos; incentivar a igualdade salarial, ou seja, crescer e expandir a comunidade em outras províncias de Angola e em África.
Actualmente, a CFTIA está em pleno crescimento e desenvolvimento, ampliando a sua rede de parceiros e apoiadores, assim como a expandir a sua actuação em todo o território nacional. A organização está a fazer um trabalho importante para aumentar a participação feminina na área de tecnologia da informação em Angola e para criar uma comunidade forte e unida de mulheres nesta área.



