De acordo com os dados mais recentes da Submarine Cable Map, que mapeia os sistemas de cabos submarinos, o continente está a ser circundado por infra-estruturas de alta capacidade.
Os mesmos dados referem que esta evolução está a reduzir a histórica dependência das ligações via satélite e a melhorar significativamente a velocidade, a fiabilidade e o custo do acesso à Internet para milhões de pessoas.
No Mediterrâneo, por exemplo, um conjunto crítico de cabos funciona como a principal porta de entrada digital da Europa para África e para a Ásia. Sistemas como o SEA-ME-WE 5 (2016) e o colosso AAE-1 (2017), com uma capacidade impressionante de 40 Tbps, atracam em pontos-chave como Marselha, Gênova e Port Said, estimando-se que cerca de 25% de todo o tráfego elegível global circule por estes corredores especiais.
A Costa Oeste Africana regista uma das expansões mais dinâmicas, com cabos modernos a suplantarem sistemas mais antigos. Enquanto o histórico SAT-3/SAFE (2002) se mantém operacional, novos sistemas como o Equiano (2024) promovido pela Google com uma capacidade de 144 Tbps e o EllaLink (2021), estão a redefinir os padrões de capacidade.
No lado Este do continente, os cabos estão a abrir portas decisivas para a Ásia e a melhorar a interligação regional. O sistema EASSy (2009) foi um marco inicial, mas a nova geração, liderada pelo PEACE (2022) com 60 Tbps e pelo futuro AFRICA-1 (previsto para 2026), está a criar caminhos directos para o Golfo e para o Subcontinente Indiano.
Analisando o mapa Pan-Africano, os dados mostram que existe uma visível ambição estratégica de rede interior. Cidades como Kinshasa, Luanda e Joanesburgo emergem como nós digitais cruciais. O grande desafio imediato será interligar estes centros urbanos através dos cabos costeiros e de robustas redes terrestres de backhaul.
Projectos como o 2Africa, ainda em implantação, prometem acrescentar resiliência e alcance sem precedentes.



