Um novo relatório da GSMA, apresentado na Cimeira da África Digital em Kinshasa, revela que a República Democrática do Congo (RDC) tem um potencial económico massivo por explorar.
O estudo indica que o país poderá desbloquear uma contribuição de 9,8 mil milhões de Francos Congoleses, cerca de 3,5 mil milhões de dólares, para o seu Produto Interno Bruto (PIB) e conectar mais 9,7 milhões de pessoas à Internet até 2029. Este crescimento, contudo, está dependente da implementação de reformas políticas e de infra-estruturas direccionadas.
Intitulado “Impulsionar o Crescimento Económico através da Transformação Digital na RDC”, o documento sublinha como uma economia alavancada pela infra-estrutura móvel pode ser um catalisador fundamental para sectores chaves como a agricultura, mineração e serviços públicos. A transformação digital é apontada como a chave para impulsionar a produtividade, o crescimento e a inclusão financeira no vasto país.
De acordo com o relatório, a RDC, lar de mais de 100 milhões de pessoas, população jovem e uma procura crescente por serviços digitais, enfrenta barreiras estruturais significativas. Apesar dos telemóveis serem a ferramenta principal de acesso à Internet, apenas 45% da população tem cobertura de rede móvel.
A acessibilidade económica, refere o documento, é outro obstáculo, com dispositivos e planos de dados fora do alcance de muitos, agravado por infra-estruturas precárias e acesso inconsistente à electricidade nas zonas rurais.
Para desbloquear este “motor económico”, o relatório da GSMA apela a uma reforma política urgente. O sector móvel, que já contribuiu com 66 mil milhões de dólares para o PIB em 2023, é sobrecarregado por regimes fiscais complexos que inibem novos investimentos. O documento recomenda a simplificação e harmonização de impostos, o aumento do acesso a energias renováveis para as infra-estruturas de telecomunicações e a garantia de acesso a espectro acessível.
O relatório estabelece um roteiro com cinco prioridades urgentes para os decisores políticos. Entre elas, destacam-se a modernização das estruturas fiscais para incentivar o investimento, o fortalecimento do planeamento de infra-estruturas digital e energética, e a aceleração do desenvolvimento de competências digitais da população.




