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O Ruanda lançou um dicionário terminológico de tecnologias de informação e comunicação em kinyarwanda, numa iniciativa que visa reforçar o uso da língua nativa no contexto digital e padronizar a linguagem técnica no país.
O projecto foi desenvolvido pela Academia Ruandesa de Cultura e Património, em parceria com o Ministério das TIC e Inovação, e apresentado a 27 de Março, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Língua Materna de 2026.
Com 274 páginas e mais de 1.700 termos, o dicionário resulta de um trabalho iniciado em 2023 e surge como resposta às preocupações com a perda de espaço do kinyarwanda nas práticas digitais e à crescente utilização de vocabulário estrangeiro no sector tecnológico.
A publicação reúne termos já utilizados, que representam mais de 70% do total, e introduz novas expressões adaptadas ao contexto local, incluindo traduções para conceitos como inteligência artificial, telecomunicações, servidor e autenticação.
Entre os exemplos, um processador de computador é descrito como “intima ya mudasobwa”, ou “coração do computador”, enquanto termos como carregador, dados biométricos e tecnologia forense foram adaptados para facilitar a compreensão e o uso corrente.
Constam ainda expressões como: Tecnologias de Informação e Comunicação (Itangazabumenyi koranabuhanga), hardware de computador (Ikoranabuhanga rya mudasobwa), tecnologia de internet (Ikoranabuhanga rya murandasi), telecomunicações (Itumanaho koranabuhanga) e inteligência artificial (Ubwenge buhangano).
Segundo as autoridades ruandesas, citadas pelo New Times, o objectivo central é permitir que os cidadãos compreendam e utilizem a terminologia tecnológica na sua própria língua, promovendo maior inclusão digital e reduzindo a dependência de línguas estrangeiras.
O director geral da Academia, Robert Masozera, destacou que muitos dos termos já circulavam no uso corrente, tendo sido agora organizados e normalizados, reflectindo a evolução natural da língua.
Já o Ministério das TIC e Inovação considera que o dicionário contribui para resolver inconsistências anteriores e responde às limitações das actuais ferramentas de tradução, sobretudo num contexto de crescente utilização de inteligência artificial.
A iniciativa prevê ainda a integração do dicionário no sistema educativo e a sua disponibilização em formato digital, num esforço para ampliar o acesso e apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas mais adaptadas às línguas locais.
Falado por cerca de 20 milhões de pessoas, o kinyarwanda é a língua oficial do Ruanda e integra o grupo das línguas bantu, sendo também utilizado em países vizinhos como República Democrática do Congo, Uganda e Burundi.




