As startups africanas atraem apenas cerca de 1,5% do financiamento global de capital de risco, segundo o documento de prospectiva “Moldar o futuro do panorama do capital de risco africano”, da União Internacional das Telecomunicações (UIT).
Para os autores, o capital de risco é simultaneamente um estrangulamento decisivo e uma alavanca crítica para a transformação digital de África. A sua importância é maior na chamada “vale da morte”, a fase em que as empresas jovens enfrentam graves restrições de financiamento e outras fontes, como subvenções ou business angels, já não são suficientes.
A dimensão do desafio é visível nos números. O Banco Africano de Desenvolvimento, citado no estudo, estima que o continente precise de cerca de 402 mil milhões de dólares de investimento anual para cumprir os seus objectivos de desenvolvimento.
Perante este cenário, o documento propõe quatro objectivos para o sector: motores inclusivos de emprego e riqueza, resiliência pan-africana, equidade digital e renovação de sectores estratégicos, como a agricultura, a saúde, a mobilidade e as energias limpas.
Para alcançá-los, os autores apontam como cenário desejável o «triângulo de confiança», assente em seis factores. Entre eles estão um passaporte continental de capital de risco, termos de compromisso normalizados e um mecanismo contracíclico de 5 mil milhões de dólares, que juntaria fundos soberanos, obrigações da diáspora e capital privado.
O estudo prevê ainda identidades digitais e pagamentos em tempo real, projectos definidos com as comunidades, ambientes de teste regulatórios e formação de fundadores.
Os autores alertam, no entanto, que estes factores, por si sós, não garantem o sucesso. A transição exige implementação coordenada, alinhamento de incentivos e faseamento ao longo do roteiro.



