O segundo dia da Feira Internacional de Luanda (FILDA) ficou marcado pelo Filda Talks, um espaço de interacção que nesta quarta-feira (19) analisou o papel das empresas privadas na aceleração da transformação digital em Angola e o impacto desta transformação nos negócios.
O painel, composto pelo presidente da comissão executiva da TAAG, Eduardo Fairen, pelo CEO da ETIC, Felipe Retke, pelo CEO da Hackerlock, Telmo Rodrigues e pelo CEO da Sócia, Augusto Firmino, expôs também algumas medidas que podem ser adoptadas pelo sector público e privado para impulsionar a economia e a transformação digital.
Para o CEO da ETIC, a transformação digital não se faz por um decreto, mas sim por processos que, refere, levam tempo a se efectivarem ou mostrarem frutos. Nesta questão, realça, as empresas privadas têm um importante papel a desempenhar, pois são os principais fomentadores desta transformação.
“Quando eu cheguei em Angola, há cerca de 15 anos, a conectividade era precária. Mas, hoje temos redes móveis rápidas, fibras por muitos sítios e isso fez com que Angola ficasse mais conectada. Quem fez isso (?), maioritariamente empresas privadas,” referiu.
A opinião é partilhada pelo CEO da Sócia que afirma ser responsabilidade das empresas privadas impulsionar a transformação digital. Augusto Firmino fez, no entanto, uma breve análise sobre a importância de se definir também a percepção sobre a tecnologia com base na realidade local, para que se consiga ter certeza do alcance das transformações a serem feitas, e explica:
“Qual é o nível de acessibilidade tecnológica que temos no país? O nível de acessibilidade de Luanda não é o mesmo da Huíla e não é o mesmo do Rivungu, por exemplo. Então, se calhar, o nosso processo de transformação digital será um cocktail de várias tecnologias aplicadas para garantir que os negócios cheguem em vários pontos. Ou seja, se aqui em Luanda o negócio chega pela Internet, poderá chegar ao Rivungu através de chamadas telefónicas,” disse.
Segundo o responsável, a primeira parte do processo de transformação digital passa por integrar várias camadas de acessibilidade tecnológica, pois “não temos um país que funciona a uma velocidade, existem várias velocidades e estas questões devem assentar numa conjugação de esforços entre o Estado e o privado”.
A esta ideia o CEO da Hackerlock acrescenta que a transformação digital é hoje a eficiência do modelo de um negócio, observando que este processo deve estar associado a práticas que garantam a segurança das empresas no ciberespaço, pois, refere, “hoje e mais do que nunca os dados das empresas são a sustentabilidade do negócio”, daí a importância de garantir a sua segurança num espaço caracterizado por constantes mudanças.
Esta necessidade foi reforçada pelo PCE da TAAG que aponta o compromisso com a cibersegurança como parte do processo de transformação digital, para manter a segurança dos dados dos clientes e garantir a continuidade do negócio.
“A cibersegurança é cada vez mais importante em todas as empresas, porque estas têm o dever de proteger os seus sistemas. Nós temos ataques todos os dias, isso inclui quedas de firewalls, malwares, ransomwares, todos os tipos de ataques. E isso nos obriga a tomar medidas constantes para proteger os dados dos nossos clientes que, certamente, são o alvo dos cibercriminosos. Então, a cibersegurança é um recurso fundamental às empresas, tanto públicas quanto privadas, para garantir a continuidade do negócio no quadro da transformação digital”, referiu.




