A Associação Angolana de Internet (AAI) e a ICANN apresentaram fortes denuncias sobre irregularidades nas eleições do Conselho de Administração da AFRINIC, realizadas na passada segunda-feira (23) nas Ilhas Maurícias.
A AAI revelou que o nome dos seus membros foi utilizado de forma indevida em centenas de procurações falsas, num processo marcado pela submissão de mais de 800 documentos suspeitos, bloqueio de votos legítimos e remoção inexplicável de registos oficiais.
“Repudiamos veementemente esta manipulação”, declarou a associação, exigindo a anulação imediata das eleições e uma investigação criminal pelas autoridades das Ilhas Mauricias.
A AAI alertou que estes incidentes minam a credibilidade da AFRINIC e, por extensão, da gestão da Internet no continente africano. “A transparência não é negociável”, sublinhou o comunicado assinado pelo seu presidente, Sílvio Almada, exigindo uma reforma profunda dos procedimentos eleitorais.
Por sua vez, a ICANN, entidade global que supervisiona a governação da Internet, juntou-se ao coro de críticas, manifestando “preocupação grave” com relatos de fraude e falta de transparência. Num comunicado, a organização recordou que a AFRINIC foi reconhecida em 2005 como registo regional para África, com obrigações de neutralidade e imparcialidade sob o acordo ICP-2.
No entanto, as alegações de procurações falsificadas, acesso indevido a listas de membros e a suspensão abrupta do escrutínio colocam em causa o cumprimento destes princípios fundamentais.
Enquanto se aguarda uma decisão, crescem os apelos para que a AFRINIC reinicie o processo eleitoral com garantias de integridade, sob pena de ver a sua legitimidade irremediavelmente comprometida.
Convidado a comentar sobre o assunto, o Founder da AONOG/AOPF, Darwin Costa, refreiu que, diante desse alvoroço, o ideal seria a ICANN revogar temporariamente as actividades da AFRINIC e deixar a gestão dos IPs africanos com outro RIR (Regional Internet Registry).
Durante este período o objectivo seria a reorganização da AFRINIC Sendo que a alocação de IPs poderia continuar através de um outro RIR, sem comprometer o negócio das empresas ou o desenvolvimento digital do continente e sua população.




