Por: Mário Oliveira, ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social
A transformação digital tornou-se uma das principais frentes da estratégia de modernização económica liderada pelo Presidente João Lourenço. Num mundo onde os dados assumem crescente relevância geopolítica e económica, Angola procura consolidar a sua soberania digital através do fortalecimento das infra-estruturas tecnológicas, da digitalização dos serviços públicos e da promoção de um ecossistema nacional de inovação.
O ANGOTIC, Fórum Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação de Angola, emerge hoje como a principal plataforma de convergência entre Governo, sector privado, universidades, startups e investidores internacionais. O evento reflecte uma visão estratégica segundo a qual a transformação digital deixou de ser apenas uma questão tecnológica para se tornar um instrumento de desenvolvimento económico, eficiência governativa e afirmação da soberania nacional.
Desde o início do mandato do Presidente João Lourenço, a modernização do Estado tem sido acompanhada por uma aposta crescente na digitalização dos serviços públicos, na expansão das telecomunicações e na criação de condições para uma economia mais baseada no conhecimento. Esta visão enquadra-se num contexto internacional em que as nações procuram reduzir dependências tecnológicas externas e reforçar a capacidade de proteger os seus dados, infra-estruturas críticas e sistemas de informação.
A soberania digital tornou-se um conceito central para os países que aspiram desempenhar um papel relevante na economia global do século XXI. Tal como os recursos energéticos e minerais foram determinantes para o desenvolvimento económico do século passado, os dados, os algoritmos, a inteligência artificial e a conectividade constituem hoje activos estratégicos fundamentais para a competitividade das nações.
Para Angola, a construção desta soberania passa pela criação de infra-estruturas robustas de telecomunicações, centros de processamento de dados, sistemas de cibersegurança e plataformas digitais capazes de garantir que informações estratégicas do Estado e dos cidadãos sejam geridas de forma segura e eficiente.
O ANGOTIC desempenha um papel relevante nesta estratégia ao promover a aproximação entre os decisores públicos e os principais actores da economia digital global. O fórum tornou-se uma montra para soluções tecnológicas capazes de aumentar a eficiência da Administração Pública, melhorar a prestação de serviços aos cidadãos e reduzir custos operacionais do Estado.
A digitalização dos processos administrativos está a transformar a forma como os serviços públicos são prestados. Sistemas integrados de gestão, plataformas electrónicas e ferramentas de análise de dados permitem uma maior transparência, melhor monitorização das políticas públicas e uma utilização mais eficiente dos recursos financeiros do Estado.
Mas o impacto do ANGOTIC vai além da governação. O evento tem contribuído para o fortalecimento do ecossistema empreendedor angolano, oferecendo às startups nacionais uma oportunidade única para apresentar soluções inovadoras, estabelecer parcerias e atrair investimento.
Num contexto em que África deverá adicionar milhões de jovens ao mercado de trabalho nas próximas décadas, as startups tecnológicas assumem um papel cada vez mais relevante na criação de empregos qualificados e na diversificação económica. Empresas emergentes ligadas ao desenvolvimento de software, fintech, agritech, healthtech e inteligência artificial representam uma nova geração de negócios capazes de gerar valor acrescentado sem depender exclusivamente dos recursos naturais.
Para Angola, o desenvolvimento destas empresas constitui uma oportunidade estratégica para acelerar a transição para uma economia baseada no conhecimento. O surgimento de um sector tecnológico competitivo poderá complementar os esforços nacionais de diversificação económica e reduzir a dependência histórica do petróleo.
A aposta na inovação também exige investimento contínuo na formação de capital humano. O país enfrenta o desafio de preparar uma nova geração de engenheiros, programadores, especialistas em cibersegurança, cientistas de dados e profissionais de inteligência artificial capazes de competir num mercado global cada vez mais exigente.
Ao posicionar o ANGOTIC como uma plataforma internacional de inovação e tecnologia, Angola procura igualmente afirmar-se como um futuro polo digital da África Austral. A localização geográfica estratégica, os investimentos em conectividade e a crescente digitalização dos serviços públicos criam condições para que o país desempenhe um papel mais relevante na economia digital africana.
Mais do que um evento tecnológico, o ANGOTIC tornou-se um símbolo da visão de futuro defendida pelo Presidente João Lourenço: uma Angola mais moderna, mais competitiva e tecnologicamente preparada para enfrentar os desafios da Quarta Revolução Industrial. A capacidade de transformar esta visão em resultados concretos poderá determinar o posicionamento do país na nova economia global dominada pelos dados, pela inovação e pelo conhecimento.



