O Secretário-Geral da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA, sigla em Inglês), Wamkele Mene, revelou que o continente precisará de mais de 700 data centers até ao final de 2035 para produzir, processar e fazer a gestão dos seus próprios dados.
Essa revelação foi feita durante o Fórum de Comércio Digital da AfCFTA, realizado na semana passada em Lagos, na Nigéria.
A Associação de Data Centers de África reporta que o continente detém apenas 0,6% da capacidade global de data centers. Em contraste, os Estados Unidos concentram 45% dos data centers do mundo. Esta disparidade, de acordo com Mene, evidencia o fosso que separa África das economias mais desenvolvidas e a magnitude do esforço necessário para inverter esse cenário.
Um dos principais obstáculos para essa expansão, na visão do especialista, é o fornecimento de energia eléctrica. As redes eléctricas instáveis, com centenas de horas de interrupção por ano, dificultam a operação de data centers, que exigem alimentação contínua e confiável.
Wamkele Mene sublinhou que é necessário um investimento conjunto dos sectores público e privado na geração de energia, alertando que muitos governos africanos ainda hesitam em abrir o mercado energético à iniciativa privada.
Nas suas palavras finais, o Secretário-Geral da AfCFTA reiterou que o caminho para a soberania digital africana passa, inevitavelmente, pela construção de infra-estrutura própria e com a capacidade de processar, armazenar e fazer gestão dos dados no continente.



